- Artigos de Opinião
- Artigos de Opinião 2006
- "A Evolução das Telecomunicações na Europa e Portugal Pós-OPA" - Carlos Rydin
- "eGov em Portugal apresenta uma retoma, mas continuamos a necessitar de ser mais rápidos e eficientes no seu desenvolvimento" - Jorge Martins
- "Internet Players versus Telcos: Mundos em Colisão" - Pierre Gein
- "Optimizar os investimentos em CRM" - Paula Quelhas
- "Operadores Móveis Virtuais" - Carlos Rydin
- "A Liberalização do Mercado do Gás Natural" - Nuno Pignatelli
- "Reduzir o TCO em SAP: o segredo está na Eficácia" - Nuno Almeida
- Artigos de Opinião 2006
Portugal volta a posicionar-se acima da média europeia no desenvolvimento de
serviços públicos on-line, obtendo o 12º lugar de um ranking composto por 28 países
europeus, onde foi analisada a maturidade do e-Government.
Em termos comparativos face a 2004 registámos, na variável Sofisticação Online,
a 5º maior evolução (15%), logo atrás de países como a Hungria (31%), Malta (25%),
Eslovénia (20%) e Polónia (18%).
No que respeita à variável Total Disponibilidade de Serviços Online, onde obtivemos
uma subida de 20% comparativamente a 2004, registámos também a 5ª maior evolução,
atrás de países como Malta (35%), Hungria (35%), Holanda (21%) e Eslovénia (20%).
Este estudo, realizado anualmente pela Capgemini para a Comissão Europeia, incide
sobre a Utilização de Serviços Públicos Electrónicos na Europa: em 2005, a sofisticação
on-line da prestação de serviços públicos nos Estados Membros da UE alcançou uma
nota média de 75%.
Na União Europeia, a maturidade dos serviços públicos online continua a crescer
e atingiu este ano um elevado nível global de sofisticação: a maioria dos serviços
permite uma interacção bi-direccional total entre cidadãos e governos e cerca
de metade dos processos podem ser totalmente tratados on-line.
O estudo deste ano confirma, mais uma vez, a tendência identificada nos anos
anteriores, em como no nosso país, os serviços públicos disponíveis na Internet
destinados às empresas estão mais desenvolvidos que os que se destinam aos cidadãos
(95% contra 75%).
Além da entrega das declarações de IVA, IRC e Segurança Social por via electrónica,
em 2005 o preenchimento de informação estatística também já pode ser realizado
através da Internet.
Nos serviços destinados aos cidadãos, a maioria já permite duas vias de interacção
com a possibilidade de completar o processo por via electrónica. A emissão de
licenças de construção, o registo automóvel e a inscrição em Universidades continuam
a ser os serviços que apresentam o menor nível de sofisticação, com 25%, 50% e
50%, respectivamente
Apesar de positivos, estes resultados não constituem necessariamente um elevado
motivo de orgulho… À semelhança dos anos anteriores, onde temos assistido aos
progressos de Portugal, a verdade é que os esforços do nosso país se têm demonstrado
insuficientes, pois outros países têm agido mais rapidamente que nós.
Para podermos obter um melhor posicionamento em futuras avaliações face aos nossos
parceiros europeus - o que significa disponibilizar mais e melhores serviços a
cidadãos e empresas - colocam-se a ainda a Portugal desafios importantes.
Calendário Regular e Rápido para o Desenvolvimento dos Serviços
Um dos motivos pelos quais temos vindo a alcançar resultados medianos, quando
nos comparamos com outros países europeus, é o facto de não dispormos de uma agenda
de acções que possibilite à Administração Pública desenvolver de forma sistemática
e regular, os programas necessários ao desenvolvimento dos serviços on-line –
refiro, a título de exemplo, a situação da Áustria, que passou, num espaço de
dois anos, de um dos países menos desenvolvidos para os lugares cimeiros do ranking.
Neste sentido, deverá ser realizado um conjunto de acções, que compreendam de
forma sistematizada actividades como:
1. Avaliação de alto nível aos diversos serviços de eGov disponibilizados actualmente,
identificando quais os serviços mais e menos desenvolvidos, entendendo as barreiras
existentes ao seu desenvolvimento, que poderão ser, por exemplo, de carácter legal
ou de integração de sistemas informáticos.
2. Avaliar que outros serviços poderão ser desenvolvidos online, cujo impacto na
vida dos cidadãos e empresas seja notório, referindo como exemplo o processo associado
ao licenciamento de construção, praticamente ainda desenvolvido de forma manual
e requerendo diversas interacções entre serviços e requerentes, quer da Administração
Central ou Local
3. Definir prioridades para o desenvolvimento online desses serviços, fixando metas,
objectivos claros e intervenientes-chave para a sua realização;
4. Desenvolvimento de um programa de monitorização, que valide o cumprimento dos
objectivos de execução das diversas iniciativas;
5. Apresentação e comunicação periódica dos resultados atingidos, numa lógica de
mobilização e sensibilização dos diversos intervenientes face ao cumprimento dos
objectivos estabelecidos;
Acentuar o desenvolvimento de serviços que apresentam um menor grau de sofisticação
Portugal tem apresentado, à semelhança da maioria dos países europeus, uma maior
sofisticação em serviços disponibilizados a empresas, face a serviços destinados
a cidadãos. Destaca-se a elevada sofisticação dos serviços orientados à cobrança
de receita, por norma, desde 2001 muito desenvolvidos, enquanto que outros apresentam
ainda estágios de desenvolvimento muito incipientes, de onde se destacam, por
exemplo, o acesso ao ensino superior ou a obtenção de licenças de construção.
Poderemos ainda discutir sobre outros serviços, que apesar de não contemplados
em termos do Survey realizado para a Comissão Europeia, se revestem de grande
utilidade para o cidadão e para a Estado.
Na área da Saúde, por exemplo, o registo médico electrónico (Electrónic Health
Record), que tem vindo a ser desenvolvido em vários países, (Suécia, Dinamarca,
Holanda), possibilita para além de um acesso mais facilitado aos cuidados básicos
de saúde, por parte dos cidadãos, uma redução acentuada da despesa do Estado em
meios complementares de diagnóstico.
Jorge Martins
Responsável
Sector Público na Capgemini Portugal
Portal iGov – 14/09/06
