"TCO's há muitos!" - Domingos Bruges

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Ultimamente temos verificado um número interessante de estudos que avaliam o impacto na redução do TCO (Total Cost of Ownership) ao adoptar uma arquitectura baseada em soluções Linux.

Uma das conclusões destes estudos é que ao longo de cinco anos, o Windows é sempre mais barato que o Linux. Os dados apresentados aparentam ser definitivos, finais e aplicarem-se a todos os casos.

Lendo cuidadosamente estes estudos, deparamo-nos com resultados de cenários bastante genéricos e simples. É apontado que o maior custo (60% do total) é com o pessoal: os administradores de sistemas Linux são mais caros do que os profissionais certificados pela Microsoft, e portanto o TCO de servidores Linux será maior. No entanto, outros estudos concluem que um administrador de sistemas Linux gere em média quatro vezes mais servidores do que um administrador Windows, devido ao facto de um sistema Linux requerer uma menor manutenção.

Num TCO devemos ter em consideração a forma como estamos “agarrados” aos License Agreements e às políticas de evolução, que em alguns casos obriga o cliente a upgrades caso seja pretendido suporte. Este custo é difícil de calcular à priori, por que em geral não se sabe quais os valores das actualizações futuras.

Gerir licenças custa dinheiro. Entender esquemas de licenciamento ou elaborar alterações nas políticas de licenciamento devem ser acrescentos ao preço da licença. Além disto, existe um overhead burocrático cada vez que é necessário um servidor novo: “Temos licença? O orçamento permite? Temos que pedir mais dinheiro à administração!”. A liberdade de políticas de licenciamento vale muito mais do que o preço das licenças propriamente dito.

A escolha de uma plataforma proprietária e o custo de uma futura mudança pode ser proibitivo, colocando a empresa na mão do fornecedor. Uma situação pouco confortável.

Como deve então ser calculado o TCO e como deve ser efectuada a escolha?

A resposta não é simples. Qualquer resposta “definitiva” sobre TCO em geral esconde um dogmatismo ou é “conversa de vendedor”: a postura actual é partir da conclusão, e, de seguida, procurar factos que a corroborem.

A verdade é que o TCO pode facilitar análises e decisões, mas cada caso é um caso. Sem o contexto que envolve a utilização do software na empresa, torna-se muito difícil tirar conclusões em cima de estudos deste tipo.

O Parlamento Europeu decidiu por uma larga maioria rejeitar a directiva de patentes de software. Felizmente deu um claro “não” a uma má proposta legislativa, e a maus procedimentos legislativos. Oportunamente e em conjunto com directivas europeias começa-se a disseminar o software livre e o conceito adjacente.

No actual plano das tecnologias de informação governamental, cerca de 80% dos Sistemas de Informação são fornecidos por um grupo restrito de empresas americanas. Neste contexto, existe uma situação de dependência económica, dado que uma parte significativa do Orçamento de Estado ou das empresas é dirigido ao pagamento de licenças de aquisição e utilização. Por outro lado, a dependência económica torna-se em casos extremos numa dependência política face ao peso que estas empresas têm no momento da negociação de contratos e adjudicações.

É necessário mudar mentes. A existência de ambientes Linux tem crescido, e também a curiosidade dos alunos em conhecer o sistema. Tal facto, associado ao crescimento do Linux nas grandes corporações tende a gerar oportunidades de mercado, e mais profissionais qualificados para estas oportunidades. O contacto com software livre permite não só aprender a trabalhar com o sistema, mas também aprender como ele funciona. Um bom mecânico não é aquele que sabe conduzir um carro, mas sim aquele que consegue abrir o capôt e perceber o que está lá debaixo.

É imperativo que o Software Aberto tenda para a evolução e propagação em larga escala. Directivas europeias, questões relacionadas com reduções de custos, segurança ou qualidade de serviço fazem-nos acreditar e apontar para soluções como o Linux.

Bom senso e preserverança não fazem mal a ninguém. Os preconceitos acabam por tirar a nossa capacidade de pensar, analisar e decidir...


Domingos Bruges
Solution Developer - Capgemini
Publicado em: Semanário Económico - 23-09-2005