- Artigos de Opinião
- Artigos de Opinião 2005
- "Agilização do processo orçamental no sector público" - Susana Correia
- "Mudar a perspectiva da função compras no estado" - Rui Filipe Alves
- "Profunda mudança nas comunicações" - Carlos Rydin
- "Gestão de risco nas Instituições financeiras: Custo ou Benefício?" - Miguel Mancellos
- "TCO's há muitos!" - Domingos Bruges
- "Treinadores de Bancada" - Jorge Martins
- Arquitecturas on-demand - Aplicações Distribuídas - Alexandre Mano
- Porquê Investir num Dealer Management System - João Almeida
- Existe massa crítica para outsourcing ? - Pedro Mota
- VoIP nas redes wireless - Paulo Barros Costa
- Desafios do mercado das Telecomunicações em Portugal - Carlos Rydin
- "Tecnologias Disruptivas" - Carlos Rydin
- "RFID - Os desafios actuais" - Parte 2 - Tiago Delgado
- "RFID - O Futuro está aí" - Tiago Delgado
- Artigos de Opinião 2005
A expansão do sector das telecomunicações está directamente relacionada com o desenvolvimento tecnológico, Esta é uma verdade de La Palisse: na última década, vivemos a banalização das comunicações móveis, como forma de suprir as necessidades das comunicações pessoa-a-pessoa; agora, assistimos ao desenvolvimento da Internet de banda larga, proporcionando o acesso rápido e simples a novas formas comunicação na empresa, no trabalho, na escola ou no convívio.
No final da década de 80, Portugal colocou-se na linha da frente do desenvolvimento, apostando na rápida digitalização da sua rede de comunicações. O espírito inovador nas telecomunicações nacionais afirmou-se durante a segunda metade dos anos 90, desta vez nos móveis, com o desenvolvimento de produtos únicos (como o serviço pré-pago), ou o lançamento de novos operadores, através de iniciativas de marketing diversas vezes premiadas internacionalmente.
Contudo, este pionerismo do final do milénio tem-se esbatido nos últimos 3 - 4 anos. Esta situação foi fruto da conjugação de vários factores:
- Insuficiente grau de liberalização nas comunicações fixas:
veja-se, por exemplo, a elevada quota de mercado do operador incumbente 5 anos
após a liberalização; ou como a desagregação do lacete local ainda não constitui
uma oportunidade para os consumidores tornarem-se clientes dos operadores
alternativos. Um sector com um reduzido nível de competitividade não estimula
a
inovação e o lançamento de projectos que explorem factores diferenciadores.
- Inconsistência do desenvolvimento de novos projectos na rede
fixa, na maior parte lançados sem ter por base a criação de uma oferta de
serviços e produtos verdadeiramente atractivos, para além do preço mais
reduzido. Esta realidade, aliada à falta de capacidade de investimento, criaram
um mercado que o operador incumbente tem, naturalmente, conseguido controlar.
- “Comoditização” do sector móvel, em que a oferta tem evoluído, em grande parte, pela extensa exploração do factor preço, por via da criação dos mais variados planos de preços. O lançamento de novos serviços tem sido tímido, quase sempre baseado em estratégias ” me too ” ou como consequência da criação de novos produtos pelos fabricantes de terminais e de equipamento de rede. Mesmo o lançamento das redes 3G não parece ser capaz de alterar a presente situação, uma vez que não permitiu até agora a criação de serviços diferenciadores, que os utilizadores estejam dispostos a consumir.
Neste contexto, devemos perguntar-nos sobre que oportunidades e que potenciais projectos ficaram para trás, e quais não foram ainda lançados, em muitos casos com atraso em relação aos nossos parceiros Europeus? Televisão digital terrestre; efectiva desagregação do lacete local; ADSL de débito acima de 1Mb/s e redes WiFi (públicas, privadas e empresariais) são alguns dos exemplos mais evidentes. Perspectivando novas oportunidades, podemos também perguntar como estamos preparados para o WiMAX, a voz sobre IP (VoIP), e para as home gateways . A maioria destes temas não constam, neste momento, nos planos de desenvolvimento de negócio dos operadores. Aliás, parece mesmo que os operadores alternativos, a quem caberia ter a ousadia para explorar novas ideias e criar novos mercados, não colocam estas questões na ordem do dia.
Recentemente, vimos a França entrar definitivamente na era da televisão digital com a oferta de um bouquet de 14 canais abertos, prevendo-se uma cobertura a 70% até ao final de 2006 e sem se falar sequer da obrigação de, em qualquer data, desligar o sinal analógico. Em Portugal, este tema vem sendo sucessivamente adiado, aparentemente colocando Portugal de fora da corrida. Não temos uma indústria de set-top-boxes de sucesso, que merece ser defendida e promovida?
A experiência de outros mercados mostrou que o sucesso das redes WiFi depende da capacidade dos diversos players fecharem acordos de interligação ( roaming ), permitindo aos clientes de uma rede utilizarem os serviços de outra rede, que detenha o ponto de acesso mais próximo do cliente. A situação presente em Portugal é a oposta: o serviço é pouco utilizado, devido à complexidade de obter ligação, apesar do crescente número de PCs com capacidade wireless e à proliferação de redes residenciais. Não poderá o regulador apostar em normalizar esta actividade de modo a permitir que a rede WiFi seja muito mais acessível, criando condições para o lançamento efectivo de um mercado de banda larga sem fios, promovendo no futuro a utilização de novas tecnologias, como o WiMAX?
A utilização de VoIP sobre WiFi é hoje em dia perfeitamente possível, mesmo sem o desconforto de ter que recorrer a um PC ou PDA. Existem no mercado terminais com o formato de um telefone normal, a um custo cada vez mais acessível. E não faltará muito para termos terminais GSM/UMTS e WiFi. A utilização de WiFi para encaminhar tráfego de voz em casa, no escritório e outros locais cobertos pode reduzir as receitas dos operadores móveis em 50%, para esse tipo de chamadas! Uma análise conduzida pela Capgemini concluiu que estes clientes poderíam reduzir em 25% os seus custos em comunicações móveis. Assim sendo, não deveríamos esperar que os operadores fixos alternativos, que se esforçam por promover a sua oferta ADSL, promovam também este tipo de tecnologia e assim consigam explorar um novo mercado?
Carlos Rydin
Principal -
Capgemini
Publicado em: Vida Económica - 15/04/2005
