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- Artigos de Opinião 2004
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- "O equilíbrio entre a Liberalização e o Desenho do Mercado" - Eduardo Valente
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- "Explorar a Inovação no Sector das Telecomunicações Móveis" - Carlos Rydin
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- "O novo departamento de TI: um parceiro de negócios" - Sónia Rosa
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- "Reforma da Administração Pública em curso: a necessidade de superar os potenciais inibidores da mudança" - Rui Filipe Alves
- "Risco operacional - Uma cultura de prevenção e eficiência organizacional" - Jorge Baião
- "Um novo desafio para os consultores" - José Carvalho
- "IPCG - na senda dos valores contemporâneos do consumidor" - Paulo Morgado
- "Informação de Gestão Rapidez e Fiabilidade no Suporte à Gestão e Tomada de Decisão" - Eduardo Ramos
- "Estaremos a explorar devidamente os ERP ?" - Pedro Fragoso
- "A confusão dói - integração já não é um luxo, é necessário" - Henrique Ahnfelt
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Informação de Gestão
Rapidez e Fiabilidade no Suporte à Gestão e Tomada de
Decisão
Até ao final deste primeiro trimestre de 2004, muitas
organizações do nosso tecido empresarial encerraram, com elevado esforço, as
suas contas de 2003. Honrosas excepções à parte, o conhecimento global dos
números dos primeiros meses de 2004 só agora deixa de ser uma miragem. Ou seja,
um quarto do ano passou, sem informação a tempo e horas para apoiar a gestão e
ser uma ferramenta efectiva de suporte à decisão. 2004 começa atrasado para
muitos.
Numa altura em que o recurso mais valioso de todos (o tempo) é
cada vez mais caro e implacável, não se podem gerir organizações com este tipo
de navegação “à vista”. Ineficiências na obtenção de informação não se coadunam
com o ritmo imprimido hoje em dia no mundo dos negócios. Há que ser rápido ao
mesmo tempo que se é seguro, transmitindo confiança. Interna e externamente.
Em contextos de downturn na actividade económica - como temos assistido
nos últimos anos -, é comum que, em média, os mercados se tornem
concorrencialmente mais agressivos. Desta forma, a velocidade aliada à
flexibilidade é fundamental. Por outro lado, não há complacências para
organizações que não emitam informação rigorosa ou não demonstrem evidências que
têm um controlo dos riscos a que estão expostos - vide a recente vaga de
legislação emitida nos EUA (Sarbanes Oxley Act) cuja aplicabilidade a um nível
mais global será uma tendência natural.
Assim, e face aos crescentes
desafios que se colocam às organizações, os modelos de informação de gestão
devem reflectir, online e com exactidão, o comportamento das variáveis críticas
de negócio.
Para tal, os gestores enfrentam um desafio primordial. Face
ao elevado volume de informação que é gerado todos os dias, como é possível agir
rápida e assertivamente com base nesta imensidão de dados? Há várias respostas
possíveis. Todavia, só uma parece fornecer as melhores condições para solucionar
este problema: através de um modelo de informação de gestão estruturado e
escalável sustentado numa solução eficiente e eficaz de sistemas de informação.
Um modelo de informação de gestão deve ser composto por um conjunto de
peças que se interligam entre si, servindo as necessidades de informação dos
diversos actores que operam na esfera de influência da organização. Deverá ser
acessível e consistente para que quem gere dedique mais tempo à análise da
informação e decisão sobre ela ao invés de empregar demasiado tempo na sua
extracção, tratamento e explicação.
Exemplos típicos dos “Clientes”
desta informação de gestão são, a um nível interno, administradores, directores,
controllers, responsáveis da contabilidade, gestores de projectos, etc. A um
nível externo, temos as instituições responsáveis por emitir informação
estatística (Banco de Portugal, INE), ROC’s e auditores, stakeholders, entidades
reguladoras das obrigações fiscais, Bancos, e mesmo Clientes e Fornecedores que
integram a cadeia de valor da empresa em ambientes colaborativos (exemplos:
modelos de VMI ou CPFR).
No que diz respeito aos layers que devem compor
um modelo de informação de gestão, devemos ter sempre em mente três níveis
fundamentais:
- Informação at a glance, concisa, num estilo de management cockpit que
permita uma leitura imediata da performance da organização - contendo
dados-chave sobre as variáveis críticas do negócio;
- Mapas de informação de gestão que forneçam um panorama global da performance
da empresa nos seus diferentes domínios, congregando relatórios clássicos (como
o Balanço, P&L, DFC, entre outros) com relatórios que forneçam dados mais
ricos sobre a sua actividade (exemplos: vendas, aprovisionamentos, produção,
manutenção, pagamentos, recebimentos, qualidade, níveis de serviço, etc);
- Mapas operacionais que permitam, a qualquer altura, monitorizar as actividades departamentais da organização (internas e de relacionamento com o exterior - tais como contas-correntes, posição e previsão de stock por referências, custeio de produtos / serviços, reclamações recebidas, avaliação de fornecedores, níveis de absentismo, etc).
Naturalmente, o nível de detalhe da informação vai aumentando à medida que
navegamos do nível 1 para o nível 3 e os utilizadores / destinatários da
informação são também diferentes. Enquanto que o primeiro nível de informação
é
usado essencialmente por administradores, o segundo nível destina-se a gestores
departamentais e o nível 3 a todos os outros colaboradores da organização no
âmbito das suas actividades diárias.
Estes três níveis têm de encaixar
perfeitamente (do menor para o maior detalhe) de forma a que a informação seja
escalável, respeitando uma estrutura pré-definida - tal como, metaforicamente,
as famosas bonecas russas (Matrioshkas), encaixam umas nas outras.
Após
a definição de um modelo de informação de gestão com estas características, a
sua implementação e operacionalização só poderá ser efectuada de forma eficiente
com o recurso a TI/SI - não é comportável a utilização de folhas de cálculo a
partir de uma determinada dimensão da base de dados, além dos óbvios problemas
de fiabilidade da informação, acessibilidade e esforço de obtenção.
Das
várias soluções disponíveis no mercado, a mais comum e que tem dado provas de
melhores resultados é a utilização de um sistema ERP que suporte os processos
da
organização à luz das melhores práticas, eventualmente auxiliado por ferramentas
satélite específicas (exemplo: CRM) que funcionem como emissores de dados para
uma arquitectura de data warehousing / data mining que liberte os sistemas
transaccionais e funcione como centro nevrálgico de acesso e partilha da
informação.
Só desta forma, utilizando as TI/SI para implementar um
modelo de informação de gestão correctamente desenhado, é possível dispor de uma
solução que permita, com rapidez e fiabilidade, suportar a tomada de decisão.
Eduardo Ramos
Managing Consultant - Capgemini
Publicado em:
Semanário Económico - 24/03/2004
