"O novo departamento de TI: um parceiro de negócios" - Sónia Rosa

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La Palice podia dizer que toda a “anormalidade” deixa de o ser quando se torna rotineira.

Várias destas ocorrências “anormais” que entraram no nosso dia-a-dia e que nos habituamos a encarar como fazendo parte do mesmo, invadiram o mercado de trabalho nos anos mais recentes, afectando em particular os sectores de TI e alterando de forma profunda a lista de prioridades na gestão de recursos humanos.

Será que os gestores Portugueses estão a reagir atempadamente, preparando organizações que sobrevivam?

Mercados cristalizados que fomentam concorrência feroz, clientes informados e exigentes, equipas interdependentes e restrições orçamentais que forçam à optimização do número de activos e aumentam a pressão sobre o desempenho individual, trouxeram para o topo das preocupações dos gestores a qualificação dos seus activos, em vertentes antes não pensadas nem tão necessárias; já não basta ser-se um bom técnico, é preciso ser-se um bom profissional e um profissional competente. E o departamento de TI já não é uma estrutura de staff com peso na organização, mas um “parceiro de negócios”.

A qualificação dos profissionais de TI é, pois, um tema premente que devemos encarar de frente. É premente que o nosso país crie diversos caminhos para atingir este objectivo e que todos os agentes assumam a mudança e que facilitem a resolução das preocupações dos gestores:

  • Que à tradicional vertente teórica dos cursos superiores seja reforçada a componente prática e imersão na realidade empresarial, incluindo a vertente social e comportamental;
  • Que se fomente nos jovens a escolha pelo ensino técnico/profissionalizante, reforçando aqui também a componente humana;
  • Que as entidades empregadoras invistam na formação qualificante dos seus técnicos, colocando de lado o velho argumento de que “se o qualificar ele vai para a concorrência” (quando a primeira causa pela qual as pessoas saem voluntariamente de uma organização é o sentimento de desinserção na mesma)
  • Que as empresas de formação assumam a sua responsabilidade na formação contínua e redesenhem a sua oferta por forma a facilitarem a criação de “Profissionais de Corpo Inteiro”. Profissionais que sejam tecnicamente aptos, saibam lidar com o cliente e transmitir uma imagem positiva da organização, trabalhem em equipa e resolvam problemas proactivamente.
Tais profissionais dificilmente sairão apenas por não gostarem do seu salário. Eles serão, sem dúvida, pessoas mais produtivas. Todos ganhamos. A começar por Portugal.


Sónia Rosa
Responsável Departamento de Formação - Capgemini
Publicado em: Channel Partner - 01/07/04