- Artigos de Opinião
- Artigos de Opinião 2004
- “O rumo da consultoria” - Pedro Rebelo
- “Serviços de Saúde: as TI como aposta na qualidade” - Paula Rodrigues
- "A maturidade do e-Government em Portugal vs Europa" - Henrique Ahnfelt
- "Inovar com Sucesso" - Carlos Rydin
- "O equilíbrio entre a Liberalização e o Desenho do Mercado" - Eduardo Valente
- "Estamos prontos para a reforma da Administração Pública?" - Paulo Saldanha Santos
- "Explorar a Inovação no Sector das Telecomunicações Móveis" - Carlos Rydin
- "ROI e Learning Analytics" - Sónia Rosa
- "O novo departamento de TI: um parceiro de negócios" - Sónia Rosa
- "Os 4 L do Logro - ou a matriz do "Marketing" com a moldura Penal!" - Paulo Morgado
- "Reforma da Administração Pública em curso: a necessidade de superar os potenciais inibidores da mudança" - Rui Filipe Alves
- "Risco operacional - Uma cultura de prevenção e eficiência organizacional" - Jorge Baião
- "Um novo desafio para os consultores" - José Carvalho
- "IPCG - na senda dos valores contemporâneos do consumidor" - Paulo Morgado
- "Informação de Gestão Rapidez e Fiabilidade no Suporte à Gestão e Tomada de Decisão" - Eduardo Ramos
- "Estaremos a explorar devidamente os ERP ?" - Pedro Fragoso
- "A confusão dói - integração já não é um luxo, é necessário" - Henrique Ahnfelt
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Há cerca de dois anos atrás, a publicação de um estudo de mercado levado a efeito
pela multinacional onde trabalho viria a alterar completamente o conceito de oferta
que aprendera cerca de duas décadas antes nos bancos da universidade. A “velhinha”
ideia de produto/preço acabara de ser irremediavelmente substituída por uma mais
completa que incorporava ainda i) o acesso (a facilidade de contacto e de comunicação
entre cliente e fornecedor), ii) o serviço (a facilitação da compra) e iii) a
experiência (a vivência humana da compra).
Mas este alargamento não ocorreu por acaso. Ele dá-se porque o estudo tinha tornado
evidente a necessidade das empresas acomodarem novas exigências do consumidor
global (abarcando também o conceito de comprador - porque a mesma pessoa que compra
o refrigerante ou o automóvel tem muitas vezes que comprar, igualmente, serviços
profissionais).
Trata-se de um consumidor i) bombardeado por excesso de informação, que a Internet
amplificou, ii) sem tempo para conduzir convenientemente o seu processo decisional
(que se inicia com a detecção de um problema, que nem sempre é óbvio, segue com
a geração de alternativas, que podem pecar tanto pela escassez como pela abundância,
e termina com a tomada de decisão e o seu controlo) e, sobretudo, iii) marcado
pela perda de influência das instituições tradicionais, como a Igreja ou a Justiça.
Um consumidor que vai, por isso, valorizar mais as organizações que são fáceis
de encontrar neste mar de informação (sendo, por exemplo, as primeiras a aparecer
nos motores de busca da Internet), que facilitam o processo de escolha dos seus
produtos ou serviços e que complementam as tais instituições tradicionais ao oferecer
valores como a verdade, a honestidade ou a confiança.
E é aqui que entra o IPGC – Instituto Português de Consultores de Gestão.
Atento a estas novas tendências, o IPGC vem trazer uma lufada de ar fresco ao
mercado da consultoria de gestão, que parecia asfixiar-se no limitado conceito
preço/produto. Como?
- Naturalmente, permitindo dar uma maior visibilidade a todos os consultores que,
com diferentes níveis de afiliação, o integrarem, facilitando, assim, o processo
de comunicação cliente-fornecedor;
- Depois, e com vista a facilitar o tal processo de escolha por parte dos clientes potenciais, permitindo-lhe separar o trigo do joio, através da atribuição de certificações profissionais aos seus associados (variando a categoria dos mesmos com o nível de experiência profissional em consultoria);
- Finalmente, para efeitos daquilo que nos interessa analisar neste artigo, zelando pelo cumprimento, por parte dos seus associados, de um código de ética profissional que dará um maior conforto aos clientes em matéria de estrita obediência aos valores que os mesmos procuram.
Acaba-se, assim, com as grandes asneiras em termos de preço (excessivamente baixo!)
feitas por amadores (que não sabem), desesperados (que julgam que é assim que
sairão da crise) ou “pistoleiros” (que estão no mercado da consultoria hoje e
amanhã, “quando isto já não der”, partem para outra)? Acaba-se com os trabalhinhos
feitos por encomenda para reforçar poderes políticos de índole empresarial (como
dizia aqui há dias um amigo meu: “o corporate governance para decidir se o XPTO
- presidente de uma grande companhia nacional - fica com motorista ou não”)? Acaba-se
com os consultores que respondem a cadernos de encargos sem fazer a mínima ideia
daquilo que o cliente está a pedir (cliente esse que em alguns casos também não
sabe bem o que quer...)? Acaba-se com a ideia de que há muito poucos exemplos
de empresas que tenham conseguido dar a volta a resultados negativos depois da
intervenção de um consultor? Acaba-se com as formas de adjudicação baseadas em
critérios que ultrapassam a racionalidade económica (pelo menos a da empresa...)?
Ou com aquelas que baseando-se em critérios de racionalidade económica, decidem-se
não com base no concurso actual mas num ocorrido no passado em que ficaram “contas
por ajustar” (“faço-te hoje um preço proibitivamente baixo, mas dás-me aquele
mandato no futuro”)? Ou, sob outro ponto de vista, acaba-se com concorrentes que
reclamam sempre de concursos públicos quer tenham ou não razões para reclamar?
Ou, ainda, com aqueles que para não o fazer exigem contrapartidas? Acaba-se?...
Ou será que isto não existe?
Paulo Morgado
Administrador Delegado - Capgemini
Publicado em: Marketeer - 01/04/04
