A integração como factor crítico para o desenvolvimento da Administração Pública on-line - João Batalha

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Num estudo recentemente realizado pela Cap Gemini Ernst & Young para a Comissão Europeia, sobre a disponibilização e sofisticação de serviços públicos on-line, Portugal aparece a meio da tabela, alinhado com a média europeia e à frente de países como a Alemanha, a Holanda e a Bélgica, em resultado sobretudo dos desenvolvimentos inovadores que têm sido realizados em algumas áreas específicas da nossa Administração como é o caso dos impostos.

Estas são, obviamente, boas notícias mas, o caminho que temos pela frente no sentido de dispormos de uma Administração Pública on-line é longo e cheio de desafios de modernização que passam pela simplificação dos processos e pela orientação ao cidadão e às empresas, assumindo definitivamente o conceito de “cliente” cuja satisfação deve ser uma das principais preocupações de todos os agentes da Administração Pública.

Um dos maiores desafios que este processo de modernização enfrenta é, sem dúvida nenhuma, o da integração entre as diferentes partes que constituem o todo da Administração Pública. Embora esta integração esteja relacionada, sobretudo, com os processos e com as pessoas que os executam, ela só será possível se for conseguida ao nível dos sistemas de informação.

Neste contexto, é fundamental reformular o vasto conjunto de sistemas de back-office da Administração Pública estabelecendo e definindo standards de interligação e regras de interoperabilidade que permitam a médio prazo garantir a necessária integração de todos os processos de negócio. Assim, a reformulação dos sistemas de back-office deve assentar em arquitecturas flexíveis, capazes de evoluir por forma a responder a novas necessidades e preparadas para permitir a integração de cadeias de valor de outros organismos e entidades da Administração Pública e, numa fase posterior, de empresas, fornecedores e parceiros.

A evolução de arquitecturas “viradas para dentro” para um modelo que conecta a cadeia de valor da entidade com a cadeia de valor de outras entidades, proporcionando um processo de integração “entre-organizações”, permite que processos complexos que envolvam mais do que uma entidade possam ser totalmente suportados em sistemas de informação, abrindo assim caminho para que os cidadãos e as empresas possam aceder e usufruir dos serviços públicos integralmente através de interfaces Web.

Assim, só com uma integração eficiente da informação, dos processos de negócio e dos sistemas de informação que os suportam será possível à Administração Pública evoluir na escala de sofisticação dos serviços públicos disponíveis on-line.

Este é uma caminho que Portugal terá obrigatoriamente de percorrer para assegurar que num futuro tão próximo quanto possível terá uma Administração moderna, eficaz, potenciadora de uma economia competitiva e capaz de responder às exigências cada vez maiores dos seus “clientes”

João Batalha
Capgemini Portugal