- Artigos de Opinião
- Artigos de Opinião 2002
- Consultoria Tecnológica versus Consultoria de Gestão - Paulo Saldanha Santos
- O senhor das ovelhas - José Carvalho
- Revenue Assurance: uma boa surpresa vinda do sector das telecomunicações - Rui Filipe Alves
- À Procura do Oásis - José Carvalho
- Artigos de Opinião 2002
Mais um exemplo
do forte dinamismo das empresas portuguesas do sector.
Num período em que
a economia, em geral, e o sector das telecomunicações, em particular, enfrentam
condições de mercado adversas, é reconfortante ver que os operadores estão
atentos, a antecipar problemas e a procurar salvaguardar o seu futuro.
Após
conversas com gestores de alguns operadores em Portugal, e a participação em
seminários internacionais, concluí que, relativamente à implementação de
programas de Revenue Assurance, estes operadores estão claramente no pelotão da
frente. Já pensaram e estudaram muito sobre o assunto, dedicaram recursos,
testaram soluções, e procuram refinar estratégias. Ao invés, inúmeros
operadores, pelo mundo fora, interrogam-se sobre o que devem fazer, e
como.
Se os operadores portugueses já tinham surpreendido anteriormente, no
lançamento de produtos inovadores (ex.: pacotes pré-pagos), na sua agressividade
comercial, que resultou em níveis de penetração dos mais elevados a nível
mundial, continuam a surpreender. Estas empresas já não se limitam hoje a copiar
o que se faz lá fora, ou a actuarem apenas quando surgem os problemas, mas,
antes, procuram inovar e antecipar, actuando de forma proactiva.
Afinal o que é o
Revenue Assurance?
Consiste em um programa sistemático de iniciativas que
visam assegurar que o tráfego gerado pelos utilizadores dos serviços é
capturado, facturado e cobrado correctamente.
Para tal, deve incluir pontos
de controlo (variáveis de performance) ao longo do ciclo de geração de receita,
procedimentos e ferramentas de produção e análise destes pontos de controlo e
iniciativas de correcção de falhas detectadas, numa lógica de revisão contínua
dos processos e sistemas de negócio.
Benefícios
potenciais
Actualmente, todo o tipo de operadores, a nível mundial, estão
a perder (leia-se, deixar de ganhar) milhões de Euros em serviços utilizados mas
não facturados. Em particular, muitos dos novos operadores, os quais cresceram
a
uma velocidade vertiginosa lançando novos produtos e serviços baseados em novas
tecnologias, não puderam dedicar muita atenção ao detalhe, sendo hoje clara a
necessidade de assegurar que os processos e sistemas de negócio são fiáveis e
exaustivos.
Com uma miríade de circuitos, fluxos e serviços necessários para
servir cada cliente, um operador que não possua os sistemas de controlo
apropriados estará a desperdiçar receitas.
Assim sendo, os operadores que já
investiram em programas de Revenue Assurance estão a retirar importantes
benefícios, sendo exemplos:
- um operador pan-Europeu identificou
recentemente 22 milhões € em serviços não facturados;
- um pequeno operador,
após analisar as linhas alugadas pelos seus clientes nos últimos 18 meses,
concluiu que havia sub-facturado 5,1 milhões €.
A CGE&Y estimou que, em
média para o sector, as perdas derivadas de falhas nos fluxos de geração de
receita poderão ascender de 3 a 8% das receitas anuais totais de um operador,
dependendo do nível de controlo efectivo de cada operador.
O que é
necessário fazer, e quais os factores críticos de sucesso?
Regra geral,
os operadores tendem a atribuir a causa dos problemas à ineficiência dos
sistemas de facturação. É manifestamente insuficiente a abordagem comum de
análise das áreas de “call completion”, “mediation”, “rating” e “aggregation”
para detectar todas as causas de problemas. Assim, a CGE&Y advoga que
deverão ser examinandas todas as áreas operacionais que intervêm no “customer
lifecycle”, desde o marketing à facturação e gestão dos clientes.
A abordagem
da CGE&Y para solucionar estes problemas é de implementar um conjunto de
iniciativas reactivas e proactivas de Revenue Assurance. Numa primeira fase, reactiva, o objectivo é detectar as fugas, identificar as causas de raiz
e definir as soluções a implementar para os resolver (ex., redefinir
procedimentos, redesenhar processos, adaptar sistemas, introduzir pontos de
controlo, etc.). Numa segunda fase, proactiva, o objectivo será
implementar o conjunto de iniciativas sistemáticas e integradas, que constituem
o programa de Revenue Assurance, por forma a assegurar que determinadas falhas
não ocorrerão ou serão detectadas e solucionadas, e que de forma contínua se
avalia e melhora os processos e sistemas.
Em conclusão, impõe-se a todos os
operadores do sector encararem estas iniciativas com elevada prioridade, não só
para solucionarem problemas actuais mas também para se prepararem para um futuro
cada vez mais complexo e difícil de controlar.
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Case study A Cap Gemini Ernst
& Young assistiu recentemente um operador pan-Europeu de telecomunicações
fixas na revisão e melhoria das suas actividades de Revenue Assurance. - Falta de controlo
sobre a potencial existência de fugas na geração de receitas em diversas áreas
específicas, e de conhecimento sobre o seu nível de importância; Face a estes desafios, foram realizadas um conjunto de iniciativas, das quais resultou: - Identificação das
fugas existentes ao longo de todo o ciclo de geração de receitas; Através destas iniciativas, o operador obteve os seguintes resultados concretos: - as fugas no ciclo
de geração de receitas minimizadas; |
Rui Filipe
Alves
Principal
Strategy & Transformation
Capgemini Portugal
