e-Services na democratização da Internet - Júlio Coelho

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“Muitas das empresas de software estão a propor uma nova arquitectura tecnológica baseada em XML a que chamam de e-Services, que tem como objectivo normalizar e facilitar a troca de informação entre os diversos sistemas através da Internet, democratizando assim a sua utilização”.

A Internet alterou definitivamente a forma como as empresas comunicam tanto com os seus parceiros como com os seus clientes. Apesar do abrandamento que está a acontecer neste mercado, ela conseguiu modificar as nossas vidas profissionais e sociais definitivamente.

A informática e as telecomunicações estão a convergir devido à necessidade que as pessoas têm em aceder aos mais variados serviços sem que para isso tenham de estar frente a um computador, dando-lhes assim uma maior liberdade. No entanto surgem também novas dificuldades, como a enorme diversidade de equipamentos utilizados para navegar na Internet que vão desde os telemóveis, passando pela televisão sem esquecer o computador, cada um com as suas próprias características de navegação e forma de comunicação.

Outra dificuldade sentida centra-se na venda de serviços entre empresas de forma a reduzir o custo de implementação de um sistema, que muito se deve à falta de formatos comuns e protocolos de troca de informação entre os mais diversos sistemas informáticos.Tomemos como exemplo o portal da Virgin Trains para venda de bilhetes de comboio. Em Inglaterra, andar de comboio pode ser uma actividade muito interessante, atendendo que o preço do bilhete varia de operador para operador, consoante o horário e outro tipo de regras. A ideia deste portal é ajudar as pessoas a encontrar o bilhete que necessitam ao melhor preço dando se possível sugestões para a possibilidade da obtenção de um bilhete mais barato se o utilizador viajar num outro horário. Uma das maiores dificuldades na construção deste portal sentiu-se na implementação dos interfaces de comunicação entre os sistemas das empresas operadoras de caminhos?de?ferro, obrigando a um grande investimento na criação da infra?estrutura de intercâmbio de informação.

São este tipo de dificuldades que travam a evolução do mercado comercial na Internet, onde imperam essencialmente portais independentes que obrigam uma pessoa a despender um bom par de horas na procura dos produtos que deseja, comparando manualmente os seus preços e condições de entrega.

Muitas das empresas de software estão a propor uma nova arquitectura tecnológica baseada em XML a que chamam de e-Services, que tem como objectivo normalizar e facilitar a troca de informação entre os diversos sistemas através da Internet, democratizando assim a sua utilização.

Será o comércio a liderar a disponibilização dos serviços na Internet onde o preço e rapidez de entrega têm um papel preponderante. Apesar de muitas empresas já terem uma rede de parceiros com relações preferenciais, a possibilidade de efectuarem comparações entre os serviços que estes oferecem de forma automática possibilita-lhes uma maior flexibilidade na escolha dos melhores preços e prazos de entrega. No entanto, esta flexibilidade só será percepcionada se uma empresa flexibilizar também os seus procedimentos.

Os e-Services têm a sua mais-valia na construção de serviços de valor acrescentado, tome-se o exemplo de uma empresa que poderá recorrer ao serviço de compra de um parceiro que por sua vez recorrerá aos serviços de outros parceiros para encontrar o produto pedido ao melhor preço, validar o crédito, escolher o transportador, etc.

A diferença com o que se passa actualmente, apesar de subtil, é de extrema importância e se traduz na possibilidade de se efectuar a procura e escolha do produto de forma automática sem qualquer intervenção humana.

O tipo de serviços que podem ser disponibilizados não se ficam só pela compra de produtos, estes podem ser muito diversificados: validação de cartões de crédito, disponibilização de horários de transporte, definição do melhor percurso para um determinado destino, até à procura de informação sobre um jogador de futebol. A aplicabilidade só é limitada pela imaginação de cada um.

A crescente adopção destes serviços levará muitas empresas a reverem a sua cadeia de valor, possivelmente delegando a alguns parceiros muitas das tarefas que anteriormente efectuava. Esta empresas podem assim especializar-se nas suas competências base enriquecendo-as com serviços de outros parceiros, criando novas ofertas de valor acrescentado, ao mesmo tempo que reduzem os seus custos e maximizando os seus lucros.

Naturalmente que tirar partido desta nova tecnologia não é um problema trivial e impõe-se que as empresas sejam capazes de adaptarem o seu modo de funcionamento ao exigido pela tecnologia, uma vez que esta só oferece o que a empresa se predispõe a utilizar.

A empresa deve ter sempre em conta que a sua estratégia de posicionamento na Internet terá de considerar os seguintes pontos:

  • Diminuir os custos e riscos envolvidos;
  • Reaproveitar ao máximo os investimentos já efectuados;
  • Satisfazer da melhor forma as necessidades e expectativas dos clientes.

Os investimentos de sucesso envolvendo a utilização de novas tecnologias são aqueles em que se tira partido das vantagens dessas tecnologias para criar um maior valor acrescentado e não os que as utilizam apenas por uma questão de “moda”.

Júlio Coelho
Capgemini Portugal