"Spot Services", necessidade ou estratégia? - Rui Gonçalves David

Está em: Imprensa

Proponho a abordagem de alguns dos principais dilemas com que se deparam os gestores das empresas de hoje, no que diz respeito à gestão de recursos humanos.

As Tecnologias de Informação são ferramentas estratégicas para o sucesso das empresas, razão pela qual estas procuram ganhar em competitividade através de uma utilização eficaz e eficiente dos seus recursos, nomeadamente dos seus sistemas de informação.

Do mesmo modo, com a evolução das Tecnologias de Informação e dos seus mercados de actuação, as empresas valorizam cada vez mais a disponibilidade imediata dos recursos com o conhecimento, metodologia e experiência adequados às suas necessidades em cada momento.

Assim, perante a inconstância do teatro operacional do dia a dia, os gestores são frequentemente colocados perante diversos dilemas, quase sempre com elevado impacte, tanto de custos como de níveis de serviço, nomeadamente:

  • Valerá a pena realizar acções de formação para necessidades temporárias (por exemplo formar um programador numa linguagem, para desenvolver apenas alguns programas)?
  • Valerá a pena recrutar mais quadros, com o respectivo custo social, sem haver a certeza da sua utilização efectiva no futuro?
  • Qual a perda de eficácia e de eficiência na empresa devido à indisponibilidade súbita dos meus quadros (por exemplo, por baixa do responsável pela rede de informação)?
  • Quem me pode ajudar na discussão e abordagem de temas específicos nas reuniões de Direcção da empresa (por exemplo, discussão da abordagem do e_Business)?

Isto resulta num conjunto de necessidades estreitamente relacionadas com a operacionalidade das empresas, e que se têm tipificado da forma seguinte:

  • Necessidade de reforçar temporariamente a capacidade de realização de tarefas, por insuficiência de recursos disponíveis na empresa, evitando-se o recrutamento ou a formação de profissionais que mais tarde seriam dispensáveis;
  • Necessidade de repor a capacidade temporária de realização de tarefas, por indisponibilidade de recursos da empresa (por exemplo, devido a baixas por doença);
  • Necessidade de realizar tarefas com exigência de know-how inexistente na empresa;
  • Apoiar as empresas na realização de tarefas, para as quais não estão vocacionadas (por exemplo, tarefas de análise e programação, elaboração de workshops sobre temas de gestão, análise e definição de fluxos de informação, auxílio dos gestores na abordagem de temas estratégicos como os associados à nova economia, etc.).

Com estas necessidades, têm surgido um conjunto de empresas, quase sempre consultoras, cuja missão é a de disponibilizar os recursos com os perfis adequados à realização das tarefas diferenciando-se essencialmente pela abrangência da capacidade de oferta dos serviços, pela preparação dos seus quadros e pelo apoio das suas infra-estruturas nacionais ou internacionais.

Trata-se sobretudo de contrapor uma prestação de serviços de forma enquadrada, sustentada em valor acrescentado e com monitorização constante do nível de satisfação dos clientes face ao trabalho realizado, à mera disponibilização de mão de obra, em regime de “body-shopping” e onde frequentemente não existe uma visão partilhada de objectivos finais.

Desta forma, as empresas ao optarem, quando oportuno e adequado, por linhas de serviço do tipo “Spot Services” estarão não só a satisfazer necessidades tipicamente pontuais, como estão a adoptar uma actuação estratégica, quanto à realização de tarefas específicas e quanto aos custos e níveis de serviço que lhes estão associados.

Rui Gonçalves David
Capgemini Portugal