De facto, nós já temos uma televisão interactiva - Henrique Ahnfelt

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De facto, nós já temos uma televisão interactiva. Dá para mudar de canal quando o que está não me entretém, dá para regular a forma como a difusão dos conteúdos me chega, desde volume e brilho até (em algumas televisões) ao formato. Posso ir buscar os resultados desportivos, a previsão meteorológica e anedotas às páginas de teletexto. Dá para substituir a difusão por conteúdos adquiridos (i.e. vídeo) quando nenhum dos 167 canais do cabo tem programas de jeito. Se o conteúdo apraz, vejo, se não, leio o jornal ou vou jogar futebol com o miúdo.

O interface desta interactividade, também conhecido por controlo remoto, funciona. Por contraste, o interface do vídeo nem por isso (principalmente aqueles tapetes de botões da parte de trás e debaixo de tampa após tampa do controlo), nenhuma pessoa que não tenha participado na sua equipa de desenvolvimento saberá como programar uma gravação em slow motion daqui a 3 semanas.

A televisão interactiva, vulgo iTV, estende essa interactividade e permite-nos interagir com a própria programação. Com essa nova interactividade podemos participar em programas, procurar informação associada a programas ou responder directamente a anúncios e adquirir os produtos propostos. Em vez de ir jogar futebol com o miúdo ou ler o jornal podemos também navegar tipo Internet por conteúdos e serviços do portal da televisão, abrindo a muitos possibilidades até agora reservadas aos possuidores de um PC com ligação à Net, incluindo a própria navegação na Web, se bem com limites.

É de prever que 2002 signifique o ‘disparo’ da adesão à iTV, pelo que faz sentido reflectir sobre o papel que esta poderá desempenhar nas estratégias promocionais das empresas. Existem várias alternativas e algumas experiências internacionais. O que será fundamental não esquecer é que a experiência televisiva é sobre entretenimento e é passiva, por contraste com a experiência PC que no essencial é pró-activa e pode ser de entretenimento ou trabalho (doméstico ou profissional). Daí que será necessário ‘convencer’ um utilizador a passar de espectador passivo a interlocutor activo. Existem vários cenários:
- Para conseguir a navegação por iniciativa do utilizador, será necessária uma proposta de valor interessante, combinada com o conhecimento prévio da sua existência pelo utilizador - (Exemplos: informação meteorológica, Páginas Amarelas, encomenda de pizza ou serviços bancários),
- A publicidade interactiva permite explorar o impulso despertado pela mensagem publicitária, colocando nas mãos do utilizador uma distância de um clique (bem, na realidade são mais...) a realização desse desejo despertado,
- Os programas interactivos patrocinados permitem construir sobre o interesse e a interacção de entretenimento de um espectador de forma a, por intermédio de conteúdos informativos, mensagens publicitárias ou outros, levá-lo a adquirir os produtos ou serviços do patrocinador.

Para as empresas a iTV coloca um conjunto de potencialidades que tipicamente oferecem uma nova janela de oportunidade, em que a criatividade e capacidade de conversão dos primeiros utilizadores, capitalizando o factor curiosidade inicial, será chave. As principais empresas de marketing e comunicação com serviços de televisão já detêm o conhecimento e competências para desenvolver este tipo de publicidade, mas ainda faltam os provedores de serviços de infra-estrutura Internet que permitam às empresas resolver o suporte e dar resposta às solicitações, muitas vezes com grandes picos de tráfego e com um períodos de vida curtos (equivalentes aos dos ‘spots’ televisivos).

Henrique Ahnfelt
Capgemini Portugal