Inovação na Cristalaria - Paulo Morgado

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Sabemos que a indústria de cristalaria da Marinha Grande tem conseguido começar a ultrapassar o contexto de “subcontratada” que a caracterizava, aproximando-se, agora, de um novo paradigma de gestão mais centrado nas questões de Marketing. Importante passo, sem dúvida. Contudo, urge enfocar a atenção na necessidade de maximizar o grau de inovação a que, para além das questões de Marketing, assistimos neste sector. É o que tentaremos fazer neste artigo, procurando sistematizar a nossa análise, que mais se constitui como uma reflexão, em torno de 10 tópicos que consubstanciam fontes potenciais de inovação. Vamos então às 10 fontes…

1. Modelo de Negócio (ou como é que as empresas fazem dinheiro) - o design, a distribuição directa, os nichos de prestígio, o serviço “à medida”, a promoção integrada no produto, a tradição, enfim as várias componentes que “muranizam” o produto de cristalaria, isto tudo “embrulhado” nos revolucionários modelos de negócios da “nova economia”, deslocam a fonte de proveitos (e sobretudo de resultados) para além da clássica margem de comercialização obtida até hoje…

2. Networking (a estrutura organizacional e a cadeia de valor) - as oportunidades de Fusões e Aquisições devem equacionar-se na fileira de negócio da Indústria Vidreira, quer a nível vertical - exemplo o subcontratado toma posição no capital da marca subcontratante, que até pode estar com problemas de sucessão…; ou, a nível horizontal, integrando diversas empresas a actuarem no segmento do tabletop. Ah, é verdade, e os Marketplaces, o e-procurement, etc.? É altura das empresas começarem a pensar seriamente na forma como poderão optimizar as suas compras, associando-se, por exemplo, a operadores a actuar na área do B2B.

3. Funções de Suporte (a gestão das empresas) - planos de negócios, delegação de poderes e competências, balanced score cards, customer relationship management, .”dot.com”, etc., etc. … terão que entrar no dia a dia das empresas!

4. Os Processos Principais (os processos que acrescentam valor directamente) - há algumas semanas, alguém chamava a atenção, num artigo no Jornal de Leiria, para a importância da robótica em determinadas fases do processo produtivo; em outro plano, é conhecida uma empresa da região que se preocupou especialmente com a optimização dos seu processo produtivo e correspondentes métodos de trabalho; por sinal, as duas devem ganhar dinheiro! A atenção a estas questões relacionadas com o processo produtivo, não deve ser descurada, à medida que o enfoque de Marketing aumenta.

5. Os Produtos (características básicas, design, funcionalidade, etc.) - tem sido dado grande enfoque relativamente a este item; sem dúvida devemos louvar o trabalho dos designers e a cooperação para criação de uma primeira colecção. É, no entanto, exequível industrialmente? E a que custo? E em que quantidades? E com que prazos de entrega? As empresas tem que estar preparadas para dar uma resposta sustentável aos desejados acréscimos do lado da procura.

6. A Tecnologia ligada ao Produto (a tecnologia que envolve a oferta) - novos sistemas de gestão e Tecnologias de Informação (WEB, EDI, Videotexto, Fax, e-mail, extranet, TV, iTV, 3G, PDA). Como estamos aqui?

7. O Serviço (como é que as empresas servem os seus clientes) - em mercados como o dos E.U.A., as falhas ao nível do cumprimento dos prazos de entrega podem significar uma interrupção dos fornecimentos (já agora imagine-se o que seria abordar este mercado sem ter produto suficiente para vender!)…

8. Os Canais de Distribuição (como é que as empresas ligam a sua oferta ao consumidor) - o papel do grossista? Sem dúvida importante. O aumento da oferta e o surgimento de novos operadores na área de distribuição e logística? Provavelmente mais importante! A necessidade de uma ligação directa ao consumidor final, também através de lojas e/ou show rooms? Extremamente importante, sem qualquer margem para dúvida! A definição do papel que uma “unidade comercial centralizadora” terá na Distribuição? Crucial. A análise do lugar que poderá ter o e-commerce nesta indústria? Indispensável.

9. A Marca (como é que as empresas exprimem e comunicam os benefícios aos seus consumidores) - a não confundir: região, colecção, produto empresa, produto grupo de empresas, nicho/segmento, mercado nacional, mercado internacional, marcas já implantadas, marcas do ex-subcontratado que vai concorrer com o ex-subcontratante,… difícil. E, já agora, a marca tem que estar associada a um produto… e esse produto tem que estar no mercado!…

10. Experiência para o Cliente (como é que as empresas criam uma vivência global de compra e consumo para os seus clientes) - a ideia de ver trabalhar o vidro como espectáculo que atrai consumidores e confirma a ideia de tradição da Indústria Vidreira da Marinha Grande, tudo isto integrado numa Rota do Vidro, é, sem dúvida, uma alavanca para o desenvolvimento do sector! Mas este “show de tradição vidreira” implica investimentos. Quem financia?….

Paulo Morgado
Vice-President
Capgemini Portugal