Esqueçam UMTS - agora, o que está na onda é a Televisão Interactiva (iTV, webTV, etc.) - Henrique Ahnfelt

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As possibilidades são enormes - e os testes já começaram (na TV Cabo). Onde a Internet, hoje, chega a cerca de meio milhão de utilizadores, com potencial esperado para duplicar nos próximos anos, a televisão chega a três milhões de lares! E se a Internet é utilizada principalmente por ‘intelectuais’ (leia-se: pessoas que sabem ler e escrever), a televisão chega a todos - intelectuais e fans do ‘Big Brother’.

Na primeira vaga, estão-se a converter páginas Web para o écran da televisão - textos e gráficos têm de ser aumentados e / ou revistos, as cores comportam-se de forma diferente, a definição é pior (no televisor funcionam melhor imagens com fundos escuros e texto claro, por oposição ao PC). Também não tem ‘scroll’ horizontal, pelo que é necessário adaptar as páginas à largura disponível - e não há rato, só um comando remoto, pelo que páginas com muitos links e botões se tornam pouco práticos.

Tudo isto está a ser feito numa óptica de reutilizar, tanto quanto possível, os conteúdos já desenvolvidos para a Internet (imagens, textos, etc.) aplicando apenas novos formatos que funcionem bem na TV.

É claro que, sentados na nossa poltrona com os pés estendidos à nossa frente e uma cerveja à mão, o silêncio que nos é tão precioso no PC (há alguém que goste de sons nas páginas em que navega na Web?) é perfeitamente ensurdecedor na televisão. E, em termos de competir pela nossa atenção, contra uma página Web na TV, simplificada e silenciosa, até o boletim agrónomo é concorrencial.

Estamos na era do video-clip. A nossa expectativa é que conteúdos apresentados numa televisão sejam diferentes dos que se apresentam num PC - mais do que ‘terminais’ diferentes são posturas diferentes. Um artigo na Web/ PC com fotografia passa a ser uma reportagem com imagem e locução.

O sucesso irá depender de muita coisa e, do que estamos a ver, principalmente do Reino Unido, ainda não sabemos bem quais os conteúdos, serviços e produtos que melhor se adaptam ao meio. O sucesso passa pela massificação do meio, largura de banda e funcionalidade, performance, utilidade e preço das ‘set top boxes’. Tudo para que em alegre concorrência se possa criar uma massa crítica de utilizadores e fornecedores.

E como eu já não consigo aguentar esta cara de pau, cá vêm as más notícias. Em Portugal vão existir múltiplos standards técnicos, de layout, etc. entre os diferentes operadores de cabo. As caixas são feitas à medida - não são standard, não há concorrência e não são rápidas. A caixa é inteiramente controlada pelo provedor do serviço. Pode vir a ser relativamente caro. É preciso ser acreditado junto do distribuidor para poder desenvolver para iTV. E só o distribuidor pode desenvolver a parte interactiva das televisões. As condições comerciais apresentadas às empresas...

Já se ouvem rumores de grandes grupos que, para já, vão ficar fora.

Henrique Ahnfelt
Capgemini Portugal