Onde Está o Lucro? - Domingos Soares de Oliveira

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Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para os mais distraídos que este título não corresponde a nenhum novo número da celebre banda desenhada “Onde está o Wally?”. Vou falar de lucros, palavra que parece ter desaparecido do léxico de alguns gestores desta praça.

Nas últimas semanas, temos vindo a ser quase massacrados por um conjunto de declarações mais ou menos bombásticas sobre a nova praga do século, a Internet!


Desde os títulos em letras grossas “Porque estou farto da Internet”, passando pela descida aos infernos do NASDAQ que quebrou 60% desde o período aúreo de Março de 2000, não esquecendo as revelações sobre o elevado número de empresas desse mesmo NASDAQ (428 mais precisamente), cuja cotação desceu mais de 90%, tudo parece tender para culpar a besta, essa maldita que só trouxe desgraças aos pobres e fracos investidores. No nosso burgo a paisagem é menos assustadora porque conseguimos conjugar dois factores; por um lado, o número de empresas ligadas à Internet e cotadas em bolsa é muito pequeno e por outro, o panorama geral é suficientemente negativo para que o fenómeno não seja tão evidenciado quando comparado com os mercados mais avançados. Isso não impede que, também por cá, algumas empresas estejam a ter as suas dificuldades associadas a esta recessão, seja através de uma quebra acentuada das suas cotações, seja porque não conseguem lançar os seus IPO’s, seja ainda porque os seus accionistas cansaram-se e decidiram que não sabiam continuar à espera!

Ora o que é relevante, é que no meio deste pânico geral, há um indicador que tem sido esquecido mas que é verdadeiramente decisivo para o sucesso, tanto destas empresas, como de qualquer outra no Mundo, indicador esse que dá pelo nome de lucro.

Na Nova, como na Velha Economia, as empresas não conseguem sobreviver se não tiverem uma perspectiva de geração de lucros (e já agora de distribuição de parte desses mesmos lucros). No entanto, aquilo a que assistimos ao longo de muitos meses foi um processo incompreensível em que vários gestores se lançaram na compra desenfreada de empresas ligadas à Internet e no lançamento de novos negócios em que o respectivo modelo assentava em critérios demasiado optimistas, ou muitas vezes até sem qualquer modelo de negócio.

Os resultados estão hoje à vista e é confrangedor observar os movimentos de fuga de empresários e investidores que provavelmente nunca deveriam ter entrado neste negócio. Significa isto que o negócio associado à Internet está condenado? Definitivamente não. A Internet é em si mesma um instrumento potente que possibilitará cada vez mais ganhos aos consumidores e sobretudo às empresas e, assim sendo, é definitivamente incontornável no panorama da Nova e da Velha Economia.

Isto quer dizer que o futuro do sector das TMT deve ser encarado de forma positiva, ainda que seja necessário esperar mais algum tempo para ver esta bolha corrigida de vez. Agora, como qualquer negócio, só pode ser gerido por profissionais dignos desse nome e só deve ser desenvolvido quando sustentado num modelo de negócio sério, que tenha o retorno do investimento assente no lucro e não no futuro IPO.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal