e-Marketplaces - Domingos Soares de Oliveira

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Agora que a poeira começa a assentar em relação a esse mito da Nova Economia, e como já é possível distinguir quais os benefícios reais que a Internet proporciona às empresas, vale a pena reflectir sobre os possíveis resultados dos investimentos realizados nos e-marketplaces ou mercados digitais.

 

As experiências em que a Cap Gemini Ernst & Young participou até à data podem agrupar-se em quatro grandes grupos; as plataformas genéricas, as plataformas verticais ou sectoriais, também conhecidas por “vortais”, as plataformas constituídas por um número restrito de empresas com interesses comuns ou ainda as plataformas que visam satisfazer um conjunto de necessidades de uma entidade, cujo volume de compras possa justificar o investimento isoladamente, sem ter de depender da entrada no projecto de outras entidades.

Curiosamente ou talvez não, os portais genéricos têm sido aqueles em que tem sido mais difícil encontrar o modelo económico que justifique os investimentos necessários. Muito provavelmente, alguns dos portais deste tipo já construídos, serão no futuro integrados em outros portais, os quais terão conseguido um número elevado de aderentes e um bom plano de negócio.

O caso dos vortais é um caso interessante em que o modelo de negócio contempla algumas vezes, um retorno do investimento através de receitas que podem não estar associadas ao comissionamento de cada transacção de compra. O facto de se endereçar um conjunto alargado de empresas com interesses coincidentes pode incentivar o aparecimento de receitas que estejam associadas a ofertas específicas para o sector.

Plataformas desenvolvidas por empresas com interesses comuns, em que se considera que a função “compras” ou pelo menos parte dessas compras não constitui um factor diferenciador, permitem normalmente um ganho interessante porque, por um lado, é possível repartir os encargos associados ao investimento por um número razoável de empresas e, por outro, não é necessário penalizar o comprador com comissões sobre cada transação.

Finalmente, os casos de e-marketplaces para uma única entidade podem justificar-se desde que essa entidade tenha um volume de compras muito significativo e um elevado número de fornecedores que obriguem a negociações permanentes. Basta pensar no Governo, ou pelo menos em alguns Ministérios, para entender o impacto que um e-marketplace (inserido numa estratégia de e-Goverment) poderia trazer para o país. Esperemos que os nossos governantes olhem para este tema como se impõe e que tenham a coragem de abraçar uma iniciativa deste tipo.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal