Uma Fusão Bem Sucedida - Domingos Soares de Oliveira

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Não tenho por hábito utilizar esta coluna para comentar assuntos da Cap Gemini Ernst & Young. Acontece que os resultados provisórios da companhia relativos ao ano 2000 acabam de ser publicados e entendo que é interessante partilhar com os leitores a perspectiva que tenho sobre o grau de sucesso do processo de fusão entre a Cap Gemini, a Ernst & Young Consulting e a Gemini Consulting.

Quando no início de 2000 esta operação foi anunciada, houve dois tipos de reacções. Por um lado, os mercados reagiram com confiança e mantiveram o preço da acção Cap Gemini a um nível aceitável, nomeadamente se tivermos em conta que já nessa altura as TMT estavam a ser castigadas nos mercados europeus e americanos. Por outro lado, muitos foram os analistas do sector que mostraram o seu cepticismo quanto à possibilidade de garantir o sucesso de junção de empresas com enfoques distintos já que a Gemini Consulting se dedicava à Consultoria Estratégica, a Ernst & Young Consulting à Consultoria de Negócio e a Cap Gemini tinha um maior enfoque na Tecnologia.


Os próprios colaboradores revelaram em alguns países uma certa intranquilidade e a verdade é que até Junho (o processo de fusão foi oficializado em 25 de Maio) dos 56.000 colaboradores que as três companhias tinham, cerca de 2.000 deixaram a respectiva empresa.

Os primeiros sinais positivos acabaram por vir dos clientes para quem esta fusão de três companhias com negócios distintos poderia resultar num interessante facto em que a mesma entidade poderia apoiar desde a estratégia, passando pela mudança dos processos de negócio, recorrendo à tecnologia quando necessário e assegurando inclusivamente o outsourcing. E tudo isto garantindo uma integridade que é difícil assegurar quando para cada caso é necessário recorrer a empresas distintas.

Graças a este entusiasmo por parte dos clientes, foram assinados vários contratos em que esta complementaridade foi determinante e que provavelmente, nenhuma das antigas companhias, isoladamente, poderia ter ganho.

Também ao nível dos colaboradores e do mercado de trabalho em geral a reacção posterior ao anúncio de fusão foi positiva. Desses 56.000 profissionais em Junho, o Grupo evoluiu para mais de 59.000 em Dezembro.

Finalmente, com o anúncio dos resultados, e com a demonstração de que a performance atingida tinha sido ligeiramente superior aos valores estimados em meados do ano passado, os mercados reagiram também positivamente, tendo a acção valorizado cerca de 20% desde 1 de Janeiro.

Esta fusão foi um movimento arriscado por parte de todos os que, em cada empresa, acreditaram nela. Nada de semelhante e nada de tão difícil tinha sido realizado até hoje neste sector. Mas sem risco e sem ousadia, a progressão das empresas torna-se um processo monótono. Um processo que não agrada nem estimula os melhores profissionais.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal