Capacidade de Execução - Domingos Soares de Oliveira

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Durante o passado mês de Março participei num interessante encontro nas instalações do ISLA cujo principal objectivo era promover um intercâmbio de experiências empresariais com estudantes e professores de vários ramos daquela instituição.

Para além do caso da Cap Gemini Ernst & Young que foi por mim apresentado, foi também exposto pelo Eng. Joaquim Paiva Chaves o percurso da Jazztel.


Convém referir que as apresentações decorreram numa Sexta-feira, entre as 19:30 e as 21:30, em pleno período de provas, o que me levou a julgar, erradamente, que a sala poderia apresentar-se algo vazia, não só pelo tardio da hora mas também porque as prioridades dos estudantes poderiam não contemplar este tipo de apresentações.

A verdade é que a sala foi pequena para todos os que quiseram participar. O meu “à priori” não teve em consideração dois dados importantes; por um lado a capacidade de mobilização do impulsionador desta iniciativa, o Dr. Rodrigues André, pessoa com quem ao longo de muitos anos tive o privilégio de colaborar; e por outro o interesse genuíno de um número elevado de estudantes, bem patente no número e na qualidade das questões colocadas durante o debate.

Tudo isto para salientar aquela que, no meu entender, foi a mensagem mais importante dessa noite: aquilo que os empresários deste início de século mais valorizam num colaborador é a sua capacidade de execução.

Durante a apresentação do Eng. Joaquim Paiva Chaves, foi por ele referido que as Visões são importantes, as estratégias cruciais, mas o sucesso no dia a dia mede-se pela capacidade de executar essas estratégias e na garantia que erramos menos vezes do que os nossos concorrentes. O último dos slides então apresentados referia simplesmente “Execução, Execução, Execução”. E, a uma pergunta de um dos membros da assembleia sobre o aspecto que mais valorizávamos num novo colaborador (já agora recém-licenciado pelo ISLA), ambos concordámos que era a sua capacidade de fazer com que as coisas aconteçam, de assumir o destino nas suas mãos ou de promover aquilo que os anglo-saxónicos referem como “ownership”.
Outros pontos são também importantes e especialmente a capacidade de trabalho em equipa mas, e desculpem a linguagem futebolística, esta capacidade de agarrar a bola, rematar à baliza e marcar o golo é tão importante no ponta de lança como o é em cada profissional de uma empresa que promova o “empowerment” dos seus colaboradores.

Infelizmente, esta postura tida por alguns empresários de que é necessário e importante dar espaço àqueles que têm capacidade de execução e promover cada vez mais essa maneira de estar não está ainda difundida de forma generalizada nos vários sectores da economia nacional. Acontece que neste ponto não há volta a dar; ou se consegue difundir esta atitude ou será a capacidade de execução da própria empresa que será posta em causa.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal