Procuram-se jovens informáticos - Domingos Soares de Oliveira

Está em: Imprensa

Durante a Inforpor 2000 da semana passada, foi realizada uma conferência denominada Infor.com - Fórum de Economia Digital, durante a qual o Senhor Ministro da Ciência e Tecnologia, Eng. Mariano Gago proferiu uma intervenção bastante interessante e com vários desafios à comunidade empresarial.

Um dos temas abordados prendeu-se com a escassez de profissionais qualificados, escassez essa que já hoje é importante e que impede que algumas empresas de consultoria e sistemas de informação possam responder a todos os desafios que o mercado tem apresentado.

Esta questão é de facto crítica e tem trazido várias consequências, a primeira das quais é um aumento importante dos salários de alguns profissionais que obrigam as empresas do sector a encarecer os seus preços junto dos seus clientes.

Por outro lado, a incapacidade de responder às necessidades dos clientes leva a que estes últimos possam estar menos bem preparados para uma competição cada vez maior com a concorrência internacional, a qual se fará sentir de forma progressiva à medida que a Nova Economia se for instalando.

Outra consequência é que as empresas instaladas em Portugal têm procurado os mercados externos para contratar recursos qualificados. Em Espanha é possível encontrar profissionais com uma boa formação de base e que rapidamente entram num bom ritmo de produção, mas para além dos nossos vizinhos, encontram-se já a trabalhar em Portugal jovens oriundos de mercados tão diversos como o Brasil, os países Nórdicos ou até a Nova Zelândia. E o resultado para as empresas portuguesas tem sido positivo.

Mas na sua intervenção, o Senhor Ministro lançou um desafio às empresas para uma melhor ligação às Universidades com o objectivo de conduzir a formação superior no sentido de responder melhor às carências do Sector.

Ora, na minha opinião, este problema não é o problema de fundo. Tenho trabalhado com algumas Universidades fazendo a ponte entre a Cap Gemini Ernst & Young e os responsáveis por alguns dos cursos superiores ligados à componente tecnológica e aquilo que começa a aparecer como o verdadeiro problema é a ausência de alunos interessados em seguir esta vertente. Em muitos casos, a formação em Informática que é seguida nem sequer corresponde à primeira opção do candidato.

Penso sim que o problema está antes da Universidade, mais objectivamente no ensino secundário. Pelo que constato, o tempo semanal que é dedicado à informática é manifestamente insuficiente e provavelmente não permite despertar nos alunos do secundário a apetência para esta matéria. As consequências estão à vista.

É pois imperioso alterar esta situação e reforçar mais as cadeiras informáticas nas camadas mais jovens. Não resolveremos o problema imediato mas, dentro de dez anos, talvez possamos estar mais satisfeitos com a quantidade e qualidade dos nossos recém formados.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal