Revoluções Tecnológicas - Domingos Soares de Oliveira

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Está a chegar uma nova Revolução. Este é um dado certo e a certeza é tanto mais surpreendente quanto esta Revolução nada tem a ver com crises políticas, económicas ou futebolísticas. Trata-se de uma revolução associada à tecnologia e dá pelo nome de código de XML.

Este conjunto de letras nada dirá à maioria dos leitores, mas acredito que nos próximos cinco anos esta designação será tão popular quanto expressões que a seu tempo pareciam estranhas como por exemplo o PC ou a WWW.

Na perspectiva informática, os últimos 20 anos têm sido caracterizados por revoluções tecnológicas de cinco em cinco anos as quais acarretaram riscos e oportunidades de negócio para a maioria das empresas.


Em 1985, o impacto originado pela aparição dos PCs foi considerável e as empresas que aderiram mais depressa tiraram, na altura, benefícios significativos pelo facto de poderem realizar a computação a preços mais baixos. Em 1990 foi o “móvel” que trouxe maior impacto e que provocou uma nova Revolução. Tornou-se possível comunicar em qualquer lugar, em qualquer momento. Em 1995, a Revolução chamou-se Internet e traduziu-se num bilião de utilizadores conectados.

Nenhuma empresa pôde ficar indiferente a qualquer um destes movimentos revolucionários e o impacto foi grande, pela positiva para as empresas que aderiram mais depressa e pela negativa para as empresas que demoraram a reagir.

Este é um ponto determinante. Em cada Revolução há um perigo grande para pessoas e empresas de ficarem desconectadas ou seja, de não apanharem a Revolução e tirarem partido dela. Os motivos para tal podem ser muitos: falta de visão, incapacidade de investimento, opções erradas. Mas seja qual for o motivo, as implicações da desconexão podem ser dramáticas. Os desconectados tornam-se perdedores a grande velocidade.

O ano 2000 constitui o marco de início da Revolução XML e vou explicar de que se trata. Em primeiro lugar, o XML é um standard para codificar dados. Para os mais conhecedores, o XML é para os dados o que o TCP/IP foi para as redes ou o HTTP e o HTML foram para abrir a Web ao grande público.

Em segundo lugar, o XML permite a manipulação de dados e particularmente a transformação de sites Web em serviços Web. As consequências desta evolução são grandes e pode-se antecipar melhorias nas cadeias de aprovisionamento, automatizações de funções de back office ou reduções nos custos dos erros de encomendas ou processamento de encomendas. O XML será um must do para manter uma posição forte no mercado.

Em resumo, haverá fortes consequências para as empresas daquilo que à partida parece ser apenas um desenvolvimento técnico. Como referi no meu último artigo, a primeira vaga da Internet consistiu em infraestruturas e em ter pessoas ligadas. A segunda vaga terá como ponto central os dados. Os projectos a desenvolver terão como temas centrais dados e processos de negócio. E teremos uma Revolução de negócio.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal