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A importância da Nova Economia tem sido tema obrigatório de um número elevado de jornais e revistas. As mensagens que as empresas do sector têm passado é que esta mudança para a Nova Economia é irreversível. Pela minha parte, não tenho dúvidas de que se trata efectivamente de um processo estruturante, cujas implicações serão bastante profundas, sobretudo nas empresas, mas também em todos nós como consumidores.
Esta percepção da
mudança tem levado a vários fenómenos, um dos quais é o aparecimento de novas
empresas que tirando partido dos novos conceitos exploram a economia de forma
diferente. Estas
start-up são no mercado Norte-Americano o maior motor de
criação de emprego, e é frequente observar todo o tipo de movimentos de pessoas
para uma nova start-up. São CEO de grandes multinacionais que se lançam no
negócio de venda de produtos de mercearia pela Internet ou de comercialização
de
flores também através da Net. São consultores de estratégia que decidem deixar
de propor aos clientes das suas firmas novos projectos, e avançam eles próprios
para a Nova Economia. São, na maior parte dos casos, comuns mortais que atraídos
pelo Eldorado da Nova Economia, pela promessa de chorudos IPO, pelo ambiente
descontraído que caracteriza essas start-up, pela ausência de gravata e de
horários, pelos brincos na orelha (?), largam os empregos que têm e dedicam-se
de corpo, alma e algumas vezes carteira ao novo projecto de criação ou
desenvolvimento de uma start-up.
Acontece que, pelo que tenho observado, a maior parte dessas start-up não desenvolveram qualquer plano estratégico, não sabem como e quando serão rentáveis e não implementaram meros conceitos de gestão, válidos em Novas ou Velhas Economias. Como o Mundo não é louco e como os mercados acabam por normalizar os seus comportamentos (apesar de algumas anomalias pontuais), muitas destas start-up acabam por ter um fim inglório, que nunca aparecerá em qualquer página de jornal ou em qualquer Business Case de Gestão, pelo menos a curto prazo. Aquilo que era uma oportunidade única, transforma-se então num problema sério. Os futuros IPO não chegam, com prejuízos acumulados é difícil recorrer ao crédito, sem margens e sem crédito não há salário que pague as despesas familiares e aos olhos dos que lá estão dentro, os ambientes descontraídos rapidamente passam a parecer ambientes caoticos.
Como no velho Oeste Americano, nem sempre quem ganha é quem corre. As empresas de publicidade estão hoje para estas start-up e “dot com’s” como estavam os vendedores de picaretas e pás para os antigos garimpeiros.
Estive recentemente com alguns colegas americanos e estes confirmavam-me o inevitável; algumas grandes “dot com’s” a abrir falência, várias start-up a fecharem e muitos comuns mortais a voltarem para as empresas onde estavam.
Volto a reafirmar que considero a Internet e a Nova Economia como um processo incontornável para a esmagadora maioria das empresas. Mas afirmo também que não é possível esperar resultados extraordinários sem um correcto amadurecimento de um Plano de Negócios, sem estratégia e sem capacidade de gestão.
Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal
