O Mercado da Consultadoria em Informática - Domingos Soares de Oliveira

Está em: Imprensa

Taxas de Crescimento muito atractivas

Durante um recente encontro de gestores representantes de interesses franceses em Portugal, tive oportunidade de debater informalmente com alguns dos presentes as taxas de crescimento que têm caracterizado a Cap Gemini em Portugal e quais as expectativas para os próximos anos. Em resposta à minha afirmação de que a nossa taxa anual de progressão das Vendas tem sido normalmente de 50% e que mantemos a mesma perspectiva para os próximos anos, um dos meus interlocutores perguntou, meio a sério, meio a brincar, se não haveria um zéro a mais nessa taxa de crescimento anual. 

Aproveito este pequeno episódio para caracterizar de forma geral o mercado de Consultoria Informática em Portugal. Trata-se sem dúvida de um mercado de elevado potencial, com um ritmo de crescimento muito significativo, ritmo esse superior à média verificada nos restantes países europeus a que não será estranho algum atraso que ainda se verifica em determinados Sectores de actividade em Portugal. No entanto há que salvaguardar as devidas dimensões. Se por um lado se trata de um Mercado onde é possível observar estas taxas de crescimento que segundo vários analistas se situarão na casa dos 20% por ano, também é verdade que este mercado não deverá ultrapassar os 130 Milhões de Contos, algo como 15% do Mercado Espanhol e sem qualquer comparação com os Mercados da Europa Central e dos Estados Unidos.

Todos os actores mundiais estão presentes

Apesar desta pequena dimensão, este Mercado tem vindo ao longo dos anos a despertar a cobiça dos grandes actores a nível mundial e neste ano de 2000, podemos caracterizar o mercado como extremamente concorrencial, a par de qualquer mercado europeu.

Há já vários anos que todas as grandes empresas de Consultoria e Auditoria se instalaram em Portugal. Trata-se de empresas de origem americana, algumas delas hoje conhecidas pelas Big Five (Andersen, Ernst & Young, Price, KPMG e Deloitte) que desenvolveram várias vertentes de negócio e das quais destaco 4 que me parecem mais relevantes: Auditoria, Fiscalidade, Consultoria de Gestão e Consultoria em Informática. Nesta última vertente, que é a única relevante para este artigo, a maioria destas empresas têm conseguido uma performance interessante e quase todas desempenham um papel importante no Sector das Tecnologias de Informação em Portugal.

As empresas que tradicionalmente centravam a sua actividade na venda de equipamentos ou produtos, com destaque para os grandes fornecedores americanos como a IBM, a HP, a Compaq ou a Unisys, e ainda a Microsoft e a Oracle fizeram também evoluir parte do seu negócio em direcção aos Serviços Informáticos. Esta estratégia é compreensível mas leva muitas vezes a dificuldades de actuação em àreas que não são o core business destas companhias. Julgo ser importante destacar aqui o posicionamento da Microsoft que tendo uma entidade de serviços designada por Microsoft Consulting Services, concentra a actuação dessa entidade no suporte às empresas dedicadas à consultoria informática.

Dos actores mundiais, as entradas mais recentes estiveram relacionadas com as empresas europeias. Há algumas companhias que têm desenvolvido uma actividade comercial em Portugal com algum relevo com a Sema, ou a CP Software, sem no entanto conseguirem alcançar os níveis de Vendas das maiores empresas do ramo presentes a nível nacional.

Em relação aos investimentos realizados por empresas de origem europeia e neste caso concreto de origem francesa, há que destacar a entrada da Cap Gemini em 1997 através da aquisição da Geslógica. Das 15 maiores empresas a nível mundial do nosso Sector, a Cap Gemini é a única de origem europeia, sendo todas as outras americanas. E aquilo que é visível na actuação das várias empresas é que há claramente uma diferença nas culturas vigentes na Cap Gemini e nas empresas americanas.

Finalmente, não poderia deixar de destacar também algumas empresas portuguesas que têm tido um papel importante neste Sector. É o caso da Edinfor, empresa ligada à EDP, da Case, da Novabase ou da CPC para apenas destacar as de maior renome.

Um dos problemas que se colocam a estas empresas portuguesas e em geral a todas as companhias de origem nacional é que à medida que as tecnologias vão evoluindo, é necessário conseguir acompanhar essa evolução de muito perto e ter uma rede de contactos internacionais que permita, em cada momento, ter os recursos certos à sua disposição. Ora para empresas com uma base exclusivamente nacional, este desafio é bastante mais complexo do que para as empresas que possuam uma base de dezenas de milhares de profissionais espalhados pelo mundo.

O problema do recrutamento

Esta questão leva-nos a ter de comentar as principais dificuldades que se deparam às empresa de serviços informáticos em Portugal. Já comentei a necessidade de acompanhar de perto as evoluções tecnológicas, a necessidade de poder no momento certo obter o especialista certo. Gostaria agora de referir a questão do recrutamento.

Apesar de todos os esforços empreendidos há mais de uma década, as Universidades portuguesas continuam a não conseguir corresponder à procura desenfreada de recursos qualificados. E estes recursos são cada vez mais disputados pelas grandes Corporações do Sector das Tecnologias de Informação, pelas empresas de Consultoria, pelas empresas nacionais, pelos Clientes e até pelas start-ups.

A prova que a procura em Portugal é superior à oferta, é que temos vindo a assitir ao longo dos últimos anos a uma evolução de salários muito acima da inflação, sendo a média salarial nacional do sector das Tecnologias de Informação superior à média em Espanha e em algumas situações até aos valores praticados em países como a França ou a Suécia. Por este motivo é cada vez mais corrente encontrar em Portugal recursos de origens além fronteiras.

Esta diferença entre a procura e a oferta vai continuar a agravar-se e já obriga hoje as empresas a serem imaginativas na forma como resolvem a questão. Da mesma forma que hoje a maioria das empresas têm um desafio para atrair e reter os seus clientes, denominado nos paises anglo saxónixos como Customer Relationship Management, para as empresas deste Sector este desafio é também válido para os recursos profissionais. No caso da Cap Gemini, construímos um Modelo de Desenvolvimento de Competências que está à disposição de qualquer profissional e que é utilizado para programar a evolução de carreira e a formação associada. Para além obviamente do pacote salarial, este “Desenvolvimento de Competências” tem sido o principal factor de atracção e retenção de colaboradores.

O desafio para os Clientes

Este problema do recrutamento e da retenção dos melhores profissionais é algo que as empresas do Sector terão obrigatoriamente de resolver sob pena de desaparecerem. Afinal este é o nosso Core Business e o Consultor a nossa matéria prima. No entanto, prevejo que a situação será ainda mais complicada para os nossos Clientes e isto porque a tecnologia e as competências associadas tendem a tornar-se cada vez mais complexas. Apenas a título de exemplo vale a pena referir que na área de E-Business identificámos no Grupo Cap Gemini mais de 200 competências distintas para podermos actuar de forma a respondermos a todos os desafios que os nossos Clientes nos possam colocar. Tomámos a decisão de desenvolver a maioria destas competências a nível nacional e para as restantes utilizaremos a estrutura internacional do Grupo.

Como é sabido, a tecnologia está a evoluir de forma vertiginosa, o que me leva a pensar como é que os nossos Clientes e em particular os Departamentos de Informática conseguirão responder a este desafio. Não passará certamente pela cabeça de ninguém desenvolver este conjunto alargado de competências se a Consultoria e os Serviços em Tecnologias de Informação não forem o core business da sua empresa. E no entanto a empresa deverá manter os seus Sistemas de Informação perfeitamente actualizados seja porque eles são uma vantagem competitiva, seja porque a política de redução de custos é importante, seja por eficiência ou eficácia.

Face a esta situação prevejo que no futuro a maioria das empresas serão obrigadas a enveredarem por um de dois modelos. Ou subcontratar em regime de Outsourcing a totalidade dos seus Sistemas de Informação, quer do ponto de vista correctivo, quer mesmo evolutivo ou estabelecer Parcerias com empresas do nosso Sector que permitam aos seus Departamentos de Informática manterem-se actualizados sobre o que de melhor se está a fazer no sector das Tecnologias de Informação.

O posicionamento da Cap Gemini

Conforme já referi, a Cap Gemini está em Portugal desde Janeiro de 1997 e nestes 3 anos tem vindo a crescer fortemente, contando com cerca de 500 profissionais no final do corrente ano. Em paralelo com este crescimento, a empresa tem também vindo a participar num conjunto de serviços e realizações cada vez mais estimulantes.

Em primeiro lugar, a Cap Gemini Portugal tem desenvolvido vários tipos de projectos em qualquer sistema operativo, com qualquer base de dados, desde projectos associados com grandes migrações, passando ainda por um número cada vez maior de projectos associados à Internet, quer a nível de Customer Relationship Management, quer de Supply Networks, quer ainda de Gestão de Conhecimento, para apenas citar algumas disciplinas.

No campo dos ERP´s, temos tido várias implementações de sistemas como o Baan, o SAP ou o Meta4.

Na área da Consultoria temos apoiado várias entidades a definir as suas estratégias de Sistemas de Informação e em muitos casos temos participado na Gestão de Projectos que estão a ser realizados pelos nossos Clientes.

No que toca ao Outsourcing, temos assegurado para grandes, médias e pequenas organizações a gestão das suas aplicações e dos seus Sistemas Informáticos. Em termos práticos, se uma Companhia não quiser manter as suas antigas aplicações ou assegurar a gestão do seu parque informático, a Cap Gemini pode garantir esse serviço.

Finalmente temos formado anualmente milhares de profissionais informáticos e utilizadores de sistemas de informação.

Fruto do recente anúncio do acordo entre a Cap Gemini e a Ernst & Young que estabelece as bases para a aquisição da Ernst & Young Consulting, considero que este Grupo encontra-se agora ainda melhor posicionado para apoiar os seus Clientes. A conjugação das duas empresas é não só interessante do ponto de vista geográfico, aumentando fortemente a presença nos Estados Unidos e na Alemanha, mas também do ponto de vista de serviços. Gostaria de destacar os seguintes:

 

Consultoria Estratégica

  • Criação de Negócio/ Transformação de Negócio
  • Gestão de Projectos ou Programas de grande dimensão
  • Arquiteturas de Sistemas e de Redes
  • Integração e Desenvolvimento de Sistemas
  • ERP’s com especial destaque para o SAP e Meta4
  • Customer Relationship Management
  • Supply Networks
  • E-Business e E-commerce
  • Gestão do Conhecimento
  • Gestão e Manutenção de Aplicações
  • Gestão e Manutenção de equipamentos
  • Formação

 

A avaliação dos nossos Clientes

Não quero terminar sem referir um aspecto que para nós é o corolário de todo o nosso empenho e que se traduz na satisfação dos nossos Clientes.

A Cap Gemini desenvolveu um programa a nível mundial designado por OTACE (On Time and Above Customer Satisfaction). De forma reduzida, cada Cliente é convidado no início de um projecto a definir quais os critérios que considera mais importantes para a avaliação do serviço que lhe é prestado e no final do projecto, deverá atribuir uma nota a cada critério, referindo ainda se o projecto terminou dentro dos prazos. No final de 1999, 95% dos nossos Clientes consideraram que tinhamos correspondido às expectativas e 78% consideram mesmo que ultrapassámos essas expectativas. Em relação aos prazos, em 90% dos casos os Clientes referiram que a Cap Gemini tinha cumprido com os prazos acordados.

Estes resultados são um bom estímulo para continuarmos o nosso esforço.

Domingos Soares de Oliveira
Capgemini Portugal