Consultoria - Um bem ou um mal necessário? - Maria Helena Monteiro

Está em: Imprensa

Quem não ouviu contar histórias e anedotas sobre Consultores?
Também sabemos que destas histórias e anedotas, quando nos são contadas, ressaltam sempre aspectos menos positivos ou mesmo negativos das actividades exercidas pelos consultores. E se, por acaso, incidem sobre os honorários dos serviços prestados, as conversas ainda se tornam mais “interessantes” …
Se têm uns segundos disponíveis, gostava de vos convidar a partilhar comigo alguns dos pensamentos desenvolvidos ao longo dos últimos 12 anos como Consultora de Gestão, tendo tido anteriormente a oportunidade de desempenhar o papel de “Cliente” de Consultoria.


Obrigada e vamos lá…
Afinal, o que é a Consultoria? Algo que é definido nos nossos dicionários como “actividade/cargo/função de consultor ou serviço prestado pelo consultor”, sendo o Consultor “aquele que dá conselho ou consulta” ou “especialista num assunto que fornece consultas a um organismo ou a uma empresa”.
De facto, as definições estão correctas, mas num nível de generalização e âmbito que não nos permite concretizar o que é esperado da Consultoria como profissão, sendo tão usual nos dias de hoje, em todos os espaços geográficos e sectores do mercado.

Uma coisa é certa, quando uma empresa resolve contratar os serviços de um Consultor é porque, face aos conhecimentos, competências e/ou disponibilidade dos recursos humanos que detém internamente, necessita de um apoio adicional sobre um tema específico, onde reconhece carências que precisa de colmatar.

Situemo-nos nas necessidades relacionadas com conhecimentos e/ou competências e não somente “mais força de trabalho”, ou porque a que tem não é suficiente naquele período ou porque, por opção de gestão, não é desejável aumentar o “quadro de pessoal”.

Até aqui, nada de novo…
Então estamos a falar em grupos profissionais - Consultores - ou empresas de Consultoria -- cujo objectivo é trazer conhecimento e competências que as empresas não têm naquele instante para promover uma transformação que lhes acresça valor. Assim, as Empresas de Consultoria têm de:

  • Perceber antecipadamente onde virão a ser úteis ao mercado;
  • Desenvolver/adquirir antecipadamente o conhecimento e competências necessárias nas áreas identificadas;
  • Configurar o “serviço” a prestar por forma a ser “aquilo” que o mercado vai solicitar;
  • Desenvolver a capacidade de fornecer o “serviço” através dos seus consultores;
  • Fornecer e melhorar constantemente não só a definição/adequação do serviço como a prestação do mesmo.

Julgamos ter situado a profunda complexidade que é praticar a actividade de consultoria e estar hoje no mercado imune a histórias e anedotas.
Na verdade, estamos a falar de empresas que lidam principalmente com os activos mais intangíveis da nossa vida: Conhecimento e Pessoas.

Dirá o leitor, que esta situação nos dias de hoje ultrapassa o âmbito do negócio Consultoria ! É verdade, mas ...
Apesar das tendências observadas no mercado serem indicativas das mudanças que se vão concretizar, cada sector da indústria, cada unidade geográfica - aspectos políticos, sociais e culturais, cada grupo de empresas e cada empresa apresenta a sua realidade, problemas, oportunidades e vontade / capacidade de mudar completamente distintas.
E mais ainda, cada empresa ao solicitar e acompanhar o apoio do consultor utiliza as suas pessoas para concretizar a expressão dessas mesmas necessidades… e sendo pessoas diferentes têm formas de as apresentar e de reconhecer os resultados, também à luz das suas próprias expectativas, que não são certamente iguais.

Neste contexto, simultaneamente de certeza e incerteza, os consultores têm o grande desafio de estar preparados para interpretar, propôr e desenvolver o conjunto de serviços que vão ao encontro da mais valia de que a entidade Cliente está à espera.
Aspectos como Gestão do Conhecimento - disponibilizado este em Intranets globais ( melhores práticas da indústria; serviços, metodologias e materiais para respectiva aplicação; resultados e experiência adquirida de casos de sucesso e insucesso; quem são e onde estão os especialistas; materiais e acções de formação;…), Centros de Inovação e Competência sobre Mercados, Indústrias e Tecnologias emergentes, e ainda, Recrutamento e Desenvolvimento de Consultores são os grandes investimentos das empresas consultoras.

Somos então um bem ou um mal necessário ?
Sermos capazes de desenvolver um relacionamento com a nossa entidade Cliente por forma a correspondermos e até ultrapassarmos, a mais valia esperada, hoje e amanhã, é a nossa constante preocupação porque na realidade, é a razão da nossa própria existência enquanto profissão e negócio.
Sabemos também que, enquanto estivermos a cumprir a nossa missão estamos a contribuir para o desenvolvimento das competências do nosso próprio país em articulação e inseridos no mercado global onde vivemos.
Se o fazemos bem ou mal o Cliente o dirá …e só podemos desejar e agradecer os seus sinceros comentários.

Maria Helena Monteiro
Capgemini Portugal