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Quem
não ouviu contar histórias e anedotas sobre Consultores?
Também sabemos que destas
histórias e anedotas, quando nos são contadas, ressaltam sempre aspectos menos
positivos ou mesmo negativos das actividades exercidas pelos consultores. E se,
por acaso, incidem sobre os honorários dos serviços prestados, as conversas
ainda se tornam mais “interessantes” …
Se têm uns segundos disponíveis,
gostava de vos convidar a partilhar comigo alguns dos pensamentos desenvolvidos
ao longo dos últimos 12 anos como Consultora de Gestão, tendo tido anteriormente
a oportunidade de desempenhar o papel de “Cliente” de Consultoria.
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Obrigada
e vamos lá…
Afinal, o que é a Consultoria? Algo que é definido nos nossos dicionários
como “actividade/cargo/função de consultor ou serviço prestado pelo
consultor”, sendo o Consultor “aquele que dá conselho ou consulta” ou
“especialista num assunto que fornece consultas a um organismo ou a uma
empresa”.
De facto, as definições estão correctas, mas num nível de
generalização e âmbito que não nos permite concretizar o que é esperado da
Consultoria como profissão, sendo tão usual nos dias de hoje, em todos os
espaços geográficos e sectores do mercado.
Uma coisa é certa, quando uma empresa resolve contratar os serviços de um Consultor é porque, face aos conhecimentos, competências e/ou disponibilidade dos recursos humanos que detém internamente, necessita de um apoio adicional sobre um tema específico, onde reconhece carências que precisa de colmatar.
Situemo-nos nas necessidades relacionadas com conhecimentos e/ou competências e não somente “mais força de trabalho”, ou porque a que tem não é suficiente naquele período ou porque, por opção de gestão, não é desejável aumentar o “quadro de pessoal”.
Até
aqui, nada de novo…
Então estamos a falar em grupos profissionais -
Consultores - ou empresas de Consultoria -- cujo objectivo é trazer conhecimento
e competências que as empresas não têm naquele instante para promover uma
transformação que lhes acresça valor. Assim, as Empresas de Consultoria têm
de:
- Perceber antecipadamente onde virão a ser úteis ao mercado;
- Desenvolver/adquirir antecipadamente o conhecimento e competências necessárias nas áreas identificadas;
- Configurar o “serviço” a prestar por forma a ser “aquilo” que o mercado vai solicitar;
- Desenvolver a capacidade de fornecer o “serviço” através dos seus consultores;
- Fornecer e melhorar constantemente não só a definição/adequação do serviço como a prestação do mesmo.
Julgamos ter
situado a profunda complexidade que é praticar a actividade de consultoria e
estar hoje no mercado imune a histórias e anedotas.
Na verdade, estamos a
falar de empresas que lidam principalmente com os activos mais intangíveis da
nossa vida: Conhecimento e Pessoas.
Dirá o leitor, que
esta situação nos dias de hoje ultrapassa o âmbito do negócio Consultoria ! É
verdade, mas ...
Apesar das tendências observadas no mercado serem
indicativas das mudanças que se vão concretizar, cada sector da indústria, cada
unidade geográfica - aspectos políticos, sociais e culturais, cada grupo de
empresas e cada empresa apresenta a sua realidade, problemas, oportunidades e
vontade / capacidade de mudar completamente distintas.
E mais ainda, cada empresa
ao solicitar e acompanhar o apoio do consultor utiliza as suas pessoas para
concretizar a expressão dessas mesmas necessidades… e sendo pessoas diferentes
têm formas de as apresentar e de reconhecer os resultados, também à luz
das suas próprias expectativas, que não são certamente iguais.
Neste contexto,
simultaneamente de certeza e incerteza, os consultores têm o grande desafio de
estar preparados para interpretar, propôr e desenvolver o conjunto de serviços
que vão ao encontro da mais valia de que a entidade Cliente está à espera.
Aspectos
como Gestão do Conhecimento - disponibilizado este em Intranets globais (
melhores práticas da indústria; serviços, metodologias e materiais para
respectiva aplicação; resultados e experiência adquirida de casos de sucesso e
insucesso; quem são e onde estão os especialistas; materiais e acções de
formação;…), Centros de Inovação e Competência sobre Mercados, Indústrias e
Tecnologias emergentes, e ainda, Recrutamento e Desenvolvimento de Consultores
são os grandes investimentos das empresas consultoras.
Somos então um
bem ou um mal necessário ?
Sermos capazes de desenvolver um
relacionamento com a nossa entidade Cliente por forma a correspondermos e até
ultrapassarmos, a mais valia esperada, hoje e amanhã, é a nossa constante
preocupação porque na realidade, é a razão da nossa própria existência enquanto
profissão e negócio.
Sabemos também que, enquanto estivermos a cumprir a
nossa missão estamos a contribuir para o desenvolvimento das competências do
nosso próprio país em articulação e inseridos no mercado global onde vivemos.
Se o fazemos bem ou mal o Cliente o dirá …e só podemos desejar e agradecer
os seus sinceros comentários.
Maria
Helena Monteiro
Capgemini Portugal
