Terciarização dos SI continua a cativar empresas portuguesas

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O outsourcing dos Sistemas de Informação ainda continua a cativar as empresas portuguesas, garante SAMUEL TUATI, vice-president de Outsourcing Services da Capgemini Portugal. 

Quais os cuidados a ter quando falamos em contratualizar um serviço em regime de outsourcing? SAMUEL TUATI, vice-president de Outsourcing Services da Capgemini Portugal, assume que os cuidados são simples: em primeiro lugar, avançar com o outsourcing é uma decisão da alta direcção e por si acompanhada até à sua conclusão. Depois, os objectivos a atingir com o contrato de outsourcing devem estar previamente identificados e serem claros. Em segundo lugar, criar uma equipa para gerir este projecto (a consulta, contratação e acompanhamento da execução).

Por fim, assegurar que têm o mesmo nível de interlocução e empenho do lado do prestador.

Terceirização dos SI cativa

Para SAMUEL TUATI, a terciarização dos Sistemas de Informação ainda continua a cativar as empresas portuguesas. Em primeiro lugar, diz o responsável, porque a necessidade de optimização mantém-se e o caminho não é, para a maioria das organizações, continuar a criar equipas internas aumentando os custos fixos e reduzindo a flexibilidade.

Em segundo lugar, a oferta tem evoluído bastante e são cada vez mais os casos de sucesso que ocorrem. “Esta conjugação cria um clima de confiança que é fundamental para o desenvolvimento do Outsourcing”, explicou.

Evolução da oferta ajuda ao desenvolvimento do outsourcing

A evolução da oferta e a especialização das empresas prestadoras são os factores que mais contribuíram para o aumento do outsourcing em Portugal, diz o vice-president de Outsourcing Services da Capgemini Portugal. 

Actualmente, as soluções de outsourcing são cada vez mais adaptadas à realidade de cada cliente e assentes em objectivos (Níveis de Serviço) que se relacionam com objectivos de negócio e não exclusivamente com a tecnologia. 

O aparecimento de novas soluções com base na utilização de centros especializados, quer seja em Portugal como no exterior, como é o caso da Índia, são meios que equilibram os “business cases” do outsourcing, quer seja ao nível do pricing’ quer ao nível da qualidade e eficiência das soluções apresentadas, o que quer dizer que os centros de desenvolvimento desempenham um papel muito importante, não só do lado do custo, como também do lado da qualidade”.  
 
A maturidade do outsourcing em Portugal depende do sector e do tipo de externalização que estejamos a falar. No entender deste responsável, por exemplo o sector financeiro, telecomunicações e “utilities” têm um grau de maturidade elevado no Outsourcing de Infra-estruturas e moderado no Outsourcing Aplicacional e BPO.

Os restantes sectores, de onde destacou a Administração Pública, apresentam graus de maturidade significativamente mais baixos, o que, na opinião deste responsável, se deve à falta de actualização sobre a oferta disponível no mercado.

Legislação laboral “atrasa” evolução

Se falarmos em entraves ao desenvolvimento do outsourcing dos Sistemas de Informação no nosso país, SAMUEL TUATI “elege” como principais barreiras a legislação laboral, o receio de perca de confidencialidade e, em alguns casos, o desconhecimento de como implementar uma operação de Outsourcing por parte de alguns clientes ou sectores historicamente menos habituados a trabalhar com empresas desta natureza, ou que tenham do outsourcing uma noção, bastante enraizada em Portugal, de disponibilização de mão-de-obra, com nenhuma partilha de risco.

Uma prática que é conhecida por Time&Materials e que significa que o prestador disponibiliza pessoas para trabalhar sob a orientação do cliente, onde o nível de responsabilidade da empresa prestadora é praticamente nulo”. O mercado das pequenas e médias empresas é atractivo para a Capgemini, mas não pode ser endereçado da mesma forma como o das grandes empresas.

A principal diferença tem que ver com modelo de optimização, enquanto nas grandes empresas modelo de optimização é desenhado dentro do próprio contrato, uma vez que, normalmente, existe massa crítica suficiente, no caso das PME, é necessário pensar a optimização para um conjunto de contratos de características comuns, sem com isto eliminar a flexibilidade de cada um”.

 

Samuel Tuati

Vice-President da área de Outsourcing Services


Nota: 
O presente artigo traduz a opinião do seu autor e não reflecte orientação ou opinião corporativa da Capgemini.