Fruto da actual conjuntura económica nacional e internacional, temos vindo a assistir a um aumento significativo da taxa de desemprego em Portugal que, segundo o Governo, deverá atingir em 2009 os 8,5%. Em Janeiro deste ano estavam inscritos nos Centros de Emprego aproximadamente 450 mil desempregados, mais 12% quando comparado o período homólogo de 2008.
Para fazer face a esta triste situação, o Governo decidiu lançar um conjunto de “medinas” e incentivos, materializados fundamentalmente em instrumentos direccionados para a manutenção do emprego, pouco ou nada se observando sobre acções concretas de aumento da empregabilidade, incluindo a aposta na reinserção no mercado de trabalho.
Se por um lado é verdade que existem diariamente empresas que encerram a sua actividade, é igualmente verdade que os cadernos de emprego continuam diária e semanalmente a apresentar necessidades de novos empregos, e as empresas de recrutamento e selecção continuam a trabalhar activamente, e com êxito, na colocação de empregados no mercado de trabalho.
É exactamente neste último ponto que, julgo, deverá existir uma rápida e total transformação. O Estado tem, através do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional), para além das atribuições ao nível da requalificação profissional (medida cujo efeito no combate ao desemprego só se poderá sentir no longo prazo), fortes responsabilidades na gestão e colocação de desempregados no mercado trabalho.
Se olharmos criticamente para a forma como o problema do desemprego é gerido, constatamos que i) o IEFP é actualmente uma entidade que actua unicamente de forma administrativa, com papeis minimizados à actualização do Portal (NetEmprego) e ao registo de desempregados nos seus centros de emprego, ii) que o ónus da procura de recursos e de incentivos – nem sempre perceptíveis - recai totalmente sobre as empresas e que iii) o desempregado se sente ser tratado como um novo registo administrativo numa base de dados.
Impõe-se, assim, a passagem urgente de uma cultura administrativa, passiva e focada “no umbigo”, para uma cultura de mercado, proactiva e focada na colocação do desempregado.
Impõe-se passar de uma ambição pequenina de conseguir tratar a papelada, para uma ambição condigna de conseguir atingir o objectivo último de colocação de pessoas nas empresas, adoptando práticas viradas para o cidadão e empresas, materializadas num verdadeiro conceito de serviço público, ou seja, transformar o IEFP numa “empresa” de colocação de recursos humanos no mercado de trabalho.
Para isso, julgo que a solução poderá estar dentro dos próprios Centros de Emprego, designadamente recrutando para esta actividade proactiva e sistemática de contacto com empresas os desempregados com perfil de vendas, de gestão ou recursos humanos. Na prática, esses “comerciais” recebem o subsídio de desemprego para trabalhar em prol do combate ao mesmo e são incentivados financeiramente em função do número que conseguirem colocar nas empresas.
Por fim, gostava de salientar que a esmagadora maioria das medidas lançadas pelo governo, visam sobretudo a obtenção de resultados em Portugal. Porém, outros países têm uma visão global do problema, e por isso termino com o exemplo de uma página publicitária que saiu na última edição do “The Economist” sobre o Bahrain, que pelo forte investimento das últimas décadas na qualificação de recursos humanos, se apresenta ao mundo como uma fonte de competências altamente especializadas.
