Melhoria de Operações - Parte I

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EMPRESAS - Como conjugar objectivos de eficiência operacional com eficácia organizacional  
 
MELHORIA de OPERAÇÕES  
 
Nas últimas décadas, a maioria das empresas, para melhorarem os seus resultados, combinaram objectivos de crescimento das receitas com elevados níveis de eficiência. Viram-se, assim, obrigadas a eliminar desperdícios e focos de improdutividade, e serem mais ágeis que os concorrentes na resposta aos clientes, fornecedores e parceiros de negócio.  
 
O que lhes permitiria atrair os melhores parceiros e clientes e alcançar melhores margens operacionais. Concorreram para a procura de ganhos de eficiência, iniciativas de reorganização e de reengenharia de processos, resultando em redimensionamento de recursos e optimização de custos operacionais. A título de exemplo, ganharam adeptos soluções como a digitalização de processos e a adopção de canais de venda ou de serviço mais económicos (exs.: contact centres, sites web).  
 
E soluções organizacionais como equipas dedicadas à gestão de clientes, unidades concentradas de prestação de serviços em funções de suporte (ex.: controlo de gestão, processamento de salários, contabilidade) ou a evolução de organizações estruturadas numa lógica regional (duplicadora de estruturas) para funcional (com funções de planeamento e coordenação centrais reforçadas, e estruturas locais maioritariamente produtivas).  
 
O benchmarking (interno e externo) passou a ser um instrumento chave na tomada de decisão e na atribuição de metas de eficiência para as funções da empresa, bem como a capacidade de monitorização através de sistemas de controlo e de alerta de desvios face às metas impostas nacomercial (ex.: dimensão da carteira de clientes de um gestor comercial, vendas por comercial), nas OPERAÇÕES (ex.: contactos/hora por operador de contact centre), na financeira (ex.: facturas emitidas por técnico), no marketing (ex.: n° de acções publicitárias), nos recursos humanos (ex.: salários processados por técnico).  
 
Mas se esta abordagem permitiu melhorar resultados, temos observado que tal se deve, em grande medida, à gestão mais rigorosa dos recursos induzida por estes instrumentos. Pois estas iniciativas de MELHORIA operacional têm-se traduzido, em muitos casos, por ligeiros ajustamentos orgânicos (ex.: concentrar equipas dispersas) e em introduzir ferramentas que permitam produzir mais com os mesmos recursos.  
 
O problema está em que isso não significa, necessariamente, produzir melhor, mas apenas de forma económica. Pois produzir muito não é sinónimo de produzir com qualidade, com maior valor acrescentado que os concorrentes. A título de exemplo, uma equipa comercial poderá ter bons resultados nas vendas mas em clientes fidelizados, onde a empresa tem melhor imagem que os concorrentes, e, nos restantes, possuir uma quota de mercado abaixo do que seria suposto ter.  
 
Ou vender muito mas em produtos geradores de margens reduzidas, não conseguindo reorientar os comerciais para explorarem segmentos de maior valor acrescentado.  
 
E isto pode suceder porque numa abordagem de gestão centrada na maximização da eficiência apenas se garante elevado rendimento (output por recurso), desconhecendo-se a capacidade e os limites da organização ao nível da qualidade do que faz. Inclusive, a maximização do rendimento pode ser contrária ao aumento da eficácia, pois poderá criar situações de perda de qualidade, como são exemplos a conquista de clientes irrentáveis, a contratação rápida de recursos de reduzida qualidade, ou a realização de muitas chamadas outbound no call centre mas com pouco sucesso na venda de novos serviços.  
 
As organizações mais modernas, para além de visarem elevados níveis de eficiência, preocupamse com a eficácia da actuação das suas áreas de negócio e de suporte. E isso significa criar melhores produtos e prestar melhores serviços no mercado, captar os melhores clientes, atrair bons parceiros e accionistas, e atrair, desenvolver e reter os melhores colaboradores, ser o mais efectivo a comunicar e a construir marcas de elevado valor.  
 
Mas para isso é necessário implementar em todas as áreas da Empresa uma abordagem estruturada de gestão centrada na eficácia organizacional - tema do próximo artigo dedicado a este desafio da gestão moderna, e que os accionistas e os mercados de capitais cada vez mais valorizam.  
 
Nota: 
O presente artigo traduz a opinião do seu autor e não reflecte orientação ou opinião corporativa da Capgemini.

 

RUI FILIPE ALVES

Responsável de Consultoria de Alta Direcção Capgemini Portugal