25/09/2006 - Relatório revela que a maioria das transacções actuais não está em conformidade com os standards do sepa

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Os planos Nacionais de migração e implementação são a chave para o sucesso
 

O sucesso da Single Euro Payments Area (SEPA) (1) está muito dependente da velocidade e da qualidade dos planos Nacionais de migração e de implementação, conclui o World Payments Report(2) da Capgemini, ABN AMRO e EFMA deste ano. De acordo com o estudo, o uso de instrumentos “tipo SEPA” difere muito entre os países objecto de estudo e os planos têm de ser alinhados por toda a Europa para assegurar uma implementação consistente do SEPA a tempo do prazo final de 2008.

Embora o alinhamento dos planos nacionais seja crítico e extremamente importante, o relatório conclui que uma “massa crítica” de produtos conformes com o SEPA pode ser alcançada com sucesso durante o período de migração a começar em Janeiro de 2008. Nos seis países da zona euro estudados(3), 85% de todos os pagamentos não monetários já se efectuam através de instrumentos do tipo SEPA (alguns tipos de débitos directos, transferências de crédito ou pagamento com cartões). Destes volumes, 13% estão já em conformidade com o SEPA, enquanto que 45% não se encontram em conformidade mas mostram um desajustamento passível de ser resolvido nessa direcção. Os restantes 42% encontram-se actualmente muito afastados dos standards do SEPA.

A existência de desajustamentos significativos entre as exigências do SEPA e as actuais práticas nacionais significa que o caminho para a implementação e migração será um grande desafio. Ainda de acordo com o relatório, as comunidades bancárias terão de definir planos claros de implementação e migração, enquanto que ao nível da Europa, o European Payments Council terá de assegurar que os planos nacionais se encontram alinhados de maneira a evitar uma nova fragmentação a nível europeu.

Segundo o relatório, os bancos podem perder entre 38 e 62% nas receitas relacionadas com pagamentos(4) (um decréscimo entre 18 e 29 mil milhões de euros até 2010). Como resultado, os bancos enfrentam o desafio de minimizar os custos internos, melhorar as suas estratégias de pricing e criar incentivos (principalmente para os consumidores) para soluções de pagamentos electrónicos mais económicas, de forma a preservarem os seus níveis de rentabilidade.

Embora existam ainda questões por resolver no que diz respeito às regras dos instrumentos de pagamento SEPA, as ferramentas estão agora disponíveis para os bancos começarem a preparar-se para a implementação do SEPA em Janeiro de 2008. “O processo de implementação e migração para o SEPA não vai ser fácil. Os bancos terão de direccionar as suas estratégias de preço e opções de sourcing para as actividades de pagamento o que, para alguns, significa um reposicionamento estratégico de todo o seu negócio de pagamentos,” afirmou Ann Cairns, Chief Executive Officer, Transaction Banking, ABN AMRO. “Apesar destes desafios, os alicerces estão agora preparados para tornar o SEPA realizável. Em última análise, o SEPA beneficiará o mercado de pagamentos.

O objectivo do SEPA de desenvolver e aumentar o número de transacções de pagamentos não monetários está ainda por concretizar, conclui o relatório. A mudança na direcção de transacções de pagamentos não monetários difere entre os países europeus e não existem provas claras de que os países europeus estejam a convergir na direcção de volumes mais elevados deste tipo de pagamentos.

O impacto do SEPA está a fazer com que os bancos considerem cuidadosamente o modo como vão realizar as mudanças técnicas e operacionais exigidas para se tornarem conformes. Ann Cairns faz o seguinte comentário: “Os bancos têm de analisar urgentemente o impacto a curto prazo para cumprirem a agenda de Janeiro de 2008 quer do ponto de vista de regulação, quer do ponto de vista operacional e de marketing. Precisam também de avaliar se a sua permanência no negócio de processamento de pagamentos irá continuar a ser rentável a longo prazo.

Bertrand Lavayssière, Managing Director, Global Financial Services, Capgemini acrescenta “O SEPA cria um momento para que os bancos pensem num reposicionamento estratégico dos seus negócios relacionados com pagamentos. Dado os grandes investimentos necessários para estar em conformidade com o SEPA, a concorrência cada vez maior de novos players e um decréscimo das receitas dos pagamentos, os bancos têm de encontrar meios de alavancagem significativos para conseguir manter a rentabilidade. Endereçar opções de sourcing e reposicionar o negócio de pagamentos dentro de um banco pode oferecer estas oportunidades para além das melhorias em termos de custos.

Na sua segunda edição, o World Payments Report 2006 cobre nove países, revê os actuais instrumentos de pagamento nacionais e analisa a sua evolução ao longo dos últimos cinco anos em relação à conformidade com o SEPA. O relatório explora a relação de volumes de dinheiro por país, o número de transacções não monetárias e o modo como as ineficiências de preço dos pagamentos estão a afectar o negócio.

O 2006 World Payments Report inclui cenários de competição forte e fraca e um novo cenário activo que faz o benchmark da utilização de pagamentos europeus não monetários nos diversos países, onde tanto o aumento de volume como as oportunidades de receita potencial são exploradas.

O World Payments Report está disponível em www.wpr06.com.

Notas:

1 O projecto Single Euro Payments Area (SEPA) tem como objectivo criar um mercado de pagamentos doméstico na zona euro. Está previsto ser lançado em Janeiro de 2008, altura em que se espera que os bancos ofereçam novos serviços de pagamentos (em euros) SEPA aos seus clientes. Os serviços de pagamentos SEPA devem estar disponíveis ao consumidor a partir de Janeiro de 2008 e a massa crítica deverá ser atingida por volta de 2010. O objectivo geral do SEPA, tal como foi formulado pelas autoridades europeias, é criar uma área de pagamentos em euros mais competitiva e mais transparente. Assume-se que uma área de pagamentos em euros única vai beneficiar tanto os consumidores como as organizações. Os países da zona euro são aqueles que adoptaram o euro como moeda nacional. Os 13 países da zona euro são: Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha. A Eslovénia vai juntar-se à zona euro em Janeiro de 2008.

2 O World Payments Report 2006 é um esforço colaborativo da Capgemini, ABN AMRO e EFMA que investiga as implicações críticas do SEPA para os utilizadores e fornecedores de serviços de pagamentos na zona euro. Este relatório explora as questões que os bancos têm de resolver para adaptar com sucesso o seu modelo de negócio de pagamentos ao novo ambiente SEPA, recentemente harmonizado e profundamente alterado Este relatório será publicado a 15 de Setembro. Para fazer o download de uma cópia grátis do relatório visite www.wpr06.com

3 Para a avaliação da conformidade, foram analisados nove países (seis países da zona euro e três países não pertencentes à zona euro). No relatório do ano passado foram abrangidos cinco países da zona euro - Holanda, Alemanha, França, Espanha e Itália foram escolhidos porque representaram 87% do volume de transacções EU12 não monetárias em 2003. A Áustria foi o sexto país da zona euro acrescentado este ano. Foram também avaliados os seguintes países não pertencentes à zona euro: Polónia, Suécia e Reino Unido.

4 No âmbito do relatório, as receitas dos bancos abarcam apenas aquelas que podem ser alocadas directamente às transacções de pagamentos. Mas consideram as resultantes da iniciação e da recepção de pagamentos. As receitas incluem, por exemplo, câmbio e float/value-dating, mas não os juros de saldos credores ou despesas de manutenção de conta.


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