14/02/2005 - Estudo revela que os Consumidores Europeus ainda têm dúvidas sobre o RFID

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O relatório está disponível para consulta, em língua inglesa.

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Novo estudo da Capgemini conclui que o sector da Distribuição deve esclarecer os consumidores sobre os benefícios das soluções RFID, de forma a minimizar preocupações com violação da privacidade.
 

De acordo com um novo estudo da Capgemini*, os consumidores europeus começam a reconhecer que a tecnologia RFID ( Radio Frequency Idenfication ), isto é, de Identificação por Rádio Frequência, vai trazer benefícios reais no dia-a-dia. A maioria dos inquiridos disse que compraria produtos com RFID se isso permitisse uma potencial redução nos roubos de automóveis (70% dos inquiridos), uma recuperação mais rápida de objectos roubados (68%) e uma maior segurança nos medicamentos sujeitos a receita médica (63%). Os consumidores inquiridos identificaram os benefícios que consideram mais importantes associados ao RFID, designadamente a melhoria na segurança e na qualidade da alimentação, a recolha cirúrgica de produtos mais rápida e mais fiável e caixas de saída das lojas mais rápidas.

No entanto, o estudo da Capgemini também conclui que os consumidores têm receios relativos à privacidade que ameaçam ensombrar os benefícios do RFID. Mais de metade dos inquiridos (55%) mostram-se preocupados com o facto das etiquetas RFID poderem permitir às empresas monitorar os consumidores pela via da compra do produto, enquanto 59% temem que as etiquetas RFID permitam uma maior liberdade na utilização dos seus dados por terceiros.

Muitos dos receios citados - por exemplo, de que as etiquetas podem ser lidas à distância (indicada por 52% dos inquiridos) - não têm razão de ser, e revelam que os consumidores europeus provavelmente conhecem mal a tecnologia RFID. Apesar de já existirem soluções RFID com elevada penetração no quotidiano dos consumidores, tais como o “M6 Toll Pass” e o “Shell EasyPay”, apenas 18% dos inquiridos europeus declararam ter ouvido falar desta tecnologia.

No entanto, entre os que estão familiarizados com o RFID, a maioria tem uma opinião favorável sobre esta tecnologia. Apenas 8% dos consumidores europeus têm actualmente uma percepção desfavorável do RFID.

A imagem é confusa no que diz respeito às opiniões dos consumidores europeus sobre o impacto que o RFID vai ter na sua privacidade, comparado com outras tecnologias. Cerca de 46% dos inquiridos acreditam que o RFID vai ter mais impacto na privacidade que os smart cards , mas apenas 34% acreditam que terá mais impacto que os telemóveis de terceira geração, e 42% acreditam que o seu impacto será maior que os cartões de cliente ou fidelização.

Deste estudo pode concluir-se que ainda há muito trabalho a fazer no sentido de informar os consumidores sobre os benefícios do RFID, dado que muitos são os que ainda não formaram opiniões concretas, tendo no entanto interesse em saber mais sobre esta tecnologia. A abordagem de utilização estratégica do RFID deve ser feita de forma controlada, passo a passo e em paralelo as empresas devem desenvolver acções no sentido de educar os consumidores sobre os seus planos e os benefícios que estes vão obter. Para o sucesso do RFID torna-se, assim, crítico conhecer os benefícios que mais interessam aos consumidores, de forma a se conseguirem elevados níveis de aceitação, e se obter um elevado retorno dos investimentos nesta tecnologia.

Para Rui Filipe Alves, Principal de Consultoria da Capgemini Portugal, ” Apesar dos portugueses já conviverem há alguns anos com a Via Verde, ou mais recentemente com bilhetes de metropolitano que são validados mesmo no interior da carteira, a maioria, à semelhança dos europeus, não tem a percepção da utilização da tecnologia RFID nessas soluções.” O mesmo responsável acrescenta que ” se a informação sobre esta tecnologia passar para os consumidores de forma perceptível, com elevado ênfase colocado na forma como ela facilitará a resolução dos seus problemas no dia-a-dia e sabendo que o consumidor português é particularmente receptivo a novas tecnologias, poderemos ser optimistas relativamente à aceitação de serviços e produtos que incluam soluções RFID. As empresas portuguesas, e em particular as retalhistas, devem, assim, preparar-se e preparar os seus clientes, para a utilização do RFID nos seus processos, de forma a rentabilizarem ao máximo as potencialidades desta nova tecnologia.

Este processo, de forte âmbito educacional, deverá ter em consideração quatro vectores:

  • Incluir os consumidores na discussão sobre o RFID: esta é uma tecnologia inovadora que tem o potencial de alterar profundamente a cadeia de abastecimento global e a experiência comercial de retalho nos próximos anos;
  • Iniciar quanto antes a comunicação com os consumidores sobre o RFID, tendo o cuidado de não se utilizar excessivamente jargão técnico;
  • Endereçar as preocupações e necessidades dos consumidores e contrapor a potenciais receios infundados os impactos esperados nos custos e preços dos produtos, bem como na preservação da privacidade, qualidade do ambiente e na saúde;
  • Avançar devagar, mas não demorar muito tempo a iniciar o processo, reforçando gradualmente a base de conhecimentos dos consumidores. A maioria não espera ver etiquetas RFID em produtos individuais senão daqui a alguns anos.

* “RFID and Consumers: What European Consumers Think About RFID and the Implications for Business” foi publicado pela Capgemini em Fevereiro de 2005. Foram inquiridos mais de 2.000 consumidores no Reino Unido, França, Alemanha e Holanda.