17/11/2004 - Sector energético europeu preocupado com a segurança no abastecimento

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A desregulamentação do mercado energético evoluiu em 2004. Agora, a segurança no abastecimento de electricidade e gás parece ser um dos pontos fundamentais
 

Segundo o último European Energy Markets Deregulation Observatory ¹ (EEMDO) da Capgemini, publicado hoje, as principais forças do mercado continuam a fazer subir os preços no sector energético europeu, mas o surgimento da concorrência em certos mercados está, de um modo geral, a reter essa subida. Uma das principais conclusões deste relatório é que os fundamentos do mercado, em particular o equilíbrio entre a oferta e a procura, estão a exercer, em muitos mercados, uma influência cada vez mais forte nos preços. Enquanto a desregulamentação fez com que a concorrência se baseasse no preço, resultando em reduções do mesmo, os mercados estão agora a evoluir para um ponto em que oferta e procura estão a começar a definir os preços.

A crescente concorrência no mercado energético europeu foi desencadeada pelos leilões das produtoras virtuais, programas de libertação de gás e movimentos contínuos de fusões e aquisições. Estas actividades fizeram com que as utilities incumbentes ganhassem acesso aos activos físicos, desenvolvessem uma presença regional e fornecessem ofertas combinadas de gás e electricidade.

Em 2004, foi observado um progresso substancial na desregulamentação do mercado energético em duas frentes: abertura completa do mercado não-residencial e desagregação das empresas de distribuição no sector energético. Apesar deste progresso, a segurança da oferta continua a ser uma das grandes preocupações para estas empresas e para os reguladores, que lançaram iniciativas para aumentar a capacidade das infra-estruturas, nomeadamente a construção de reactores nucleares na Finlândia e em França, e novos investimentos em projectos de infra-estruturas de gás no Reino Unido.

Collete Lewiner, Senior Vice-President, Global Leader Energy, Utilities and Chemicals da Capgemini declarou que: “As margens de capacidade de geração real permaneceram baixas em vários países, incluindo os novos membros da UE. Foram tomadas várias iniciativas para aumentar as capacidades cross-border e os intercâmbios na Europa. No entanto, os níveis de intercâmbio da electricidade permaneceram demasiado modestos para diminuir significativamente a ameaça de novos “apagões” nos próximos anos.”

“Os preços da electricidade por atacado estiveram crescentemente voláteis e sujeitos a grandes subidas, associadas a eventos tais como as condições climatéricas, falhas de energia nas principais produtoras ou congestão das linhas de transmissão. Como consequência, a segurança do abastecimento de electricidade e gás nos próximos anos está a tornar-se uma importante preocupação que merece o tratamento adequado.”

Jayesh Parmar, Vice President, Utilities Market Restructuring da Capgemini, clarifica: “Ainda há muito a fazer para definir a melhor forma de monitorizar os mercados liberalizados, e como a capacidade adicional deve ser melhor incentivada para cumprir as margens necessárias. Toda esta área é ainda um trabalho em desenvolvimento - mas os problemas são suficientemente actuais para se investir em geração, em importação de gás e em instalações de armazenamento.”

O relatório da Capgemini também observou que, desde a publicação do último EEMDO, tem havido um crescimento notável na utilização de energias renováveis, particularmente no que diz respeito à energia eólica e principalmente em Espanha e na Dinamarca. O crescimento noutros países é mais modesto, mas as aplicações planeadas indicam que deverá observar-se um crescimento substancial noutros países tais como o Reino Unido.

A mudança para fontes de energia “limpas” vai ser impulsionada pela introdução do Carbon Emissions Trading Scheme (CETS) , dia 1 de Janeiro de 2005 . Isto vai ter maior impacto nas empresas do sector energético do que o actual comércio de certificados ecológicos. Mas, apesar dos Planos de Alocação Nacional iniciais estarem definidos, não se espera que estes sejam particularmente exigentes acerca dos locais afectados. Espera-se que os volumes negociados sejam inicialmente baixos, mas crescentes com a extensão do CETS e reduções dos subsídios.

Outras observações-chave:

Actividade de Interconexão: apesar de não ter havido uma actividade significativa este ano, as coisas estão a mudar rapidamente. Existe um grande número de iniciativas em curso para estabelecer novos pontos de interconexão ou criar capacidade adicional nos existentes.

Mercados por atacado: o número de mercados por atacado cresceu rapidamente e existem hoje em dia 11 intercâmbios de energia regulamentados na Europa. No entanto, o verdadeiro problema é que os mercados por atacado estão a enfrentar uma falta de liquidez. A existência de mais intercâmbios líquidos iria permitir um verdadeiro mercado europeu de electricidade.

Alterações no Mercado de Retalho: a concorrência está a aumentar em todos os países e após Julho de 2004, praticamente todos os membros da UE abriram os seus mercados à concorrência. Os níveis de mobilidade dos clientes evoluem após as fases de desregulamentação: quando a concorrência começa a desenvolver-se, o nível de informação dos consumidores aumenta assim como os níveis de mobilidade, podendo cair à medida que os mercados amadurecem. Normalmente, os factores de mobilidade aumentam efectivamente em resposta ao aumento dos preços.

 

¹O European Energy Markets Deregulation Observatory (EEMDO) da Capgemini é um relatório anual que monitoriza o progresso da desregulamentação em vários países europeus, e analisa os indicadores seleccionados que fornecem provas da forma como as indústrias do sector energético estão a funcionar. O relatório baseia-se em dados recolhidos no Inverno de 2003/2004.