08/10/2003 - Cap Gemini Ernst & Young revela que o Wi-Fi veio para ficar

Está em: Imprensa

A consultora desenvolveu um Point of View sobre o Wi-Fi, onde faz uma abordagem global desta tecnologia. As perspectivas de integração, consolidação e especulação deste mercado são algumas das questões abordadas.


Consciente da importância do tema Wi-Fi para o mercado global das TI, a Telecom Media Networks (TMN), unidade de negócios da Cap Gemini Ernst & Young (CGE&Y) vocacionada para a consultoria no sector das telecomunicações, media e redes desenvolveu um Point of View (PoV) sobre esta tecnologia, tendo em conta as suas vantagens e obstáculos de integração e consolidação do mercado. No âmbito de um projecto desenvolvido para um operador móvel, a CGE&Y analisou vários cenários possíveis: despesas de capital (capex), custo total de operação e retorno do investimento.

Todos os resultados deste projecto, independentemente do cenário, concluem que o operador com a tecnologia Wi-Fi alcançaria o lucro após o primeiro ano de operação, o que é muito significativo dada a actual ênfase no Return on Investiment (ROI), no presente ambiente competitivo comercial. Vários especuladores e observadores da indústria chegam mesmo a ser unânimes na opinião de que a projecção do Wi-Fi será rápida e profunda. O crescimento e desenvolvimento desta tecnologia vai ocorrer ainda este ano, onde serão avançados standards e questões técnicas, propícias ao arranque entre os utilizadores.

Desenvolvimentos tais como o Intelâ CentrinoÔ, o Windows® XP e a rede de teletrabalho são indicadores de que o arranque e o desenvolvimento desta tecnologia são inevitáveis. O Wi-Fi está presente, e pronto a proliferar, mas para os fornecedores de serviços permanecem algumas questões-chave relativamente à escolha do modelo de negócio mais adequado. No PoV elaborado pela consultora, foi tido em consideração que os utilizadores de tecnologias wireless pretendem bons níveis de ligação e de serviço, independentemente do local, do momento e da conexão ser, ou não, sem fios. As redes Wi-Fi nos escritórios, em casa e, as mais importantes - os hotspots públicos - estão actualmente a utilizar como base hardware e software standard.

Uma das vantagens associadas ao Wi-Fi tem a ver com o custo da infra-estrutura que é relativamente baixo. Já os custos das componentes no nível da rede de agregação são escaláveis com o número de utilizadores registados, o que faz com que os custos de operação não sejam a questão mais importante do Wi-Fi. Os custos operacionais, esses sim, são muito importantes, tais como o custo de aluguer de hotspots e de dados back-hauling de DSL, bem como linhas de conexão alugadas. Talvez o elemento mais caro seja o custo de facturação e do atendimento a clientes. Finalmente, as receitas são os mais difíceis de determinar, porque o mercado ainda necessita de ser definido. Estas dependerão de variáveis, tais como o número de hotspots, número de utilizadores por hotspot, média de ligação em tempo por sessão por utilizador e preço cobrado por minuto.

Vários dos operadores fixos e móveis estabelecidos já entraram no mercado Wi-Fi, indicando que na melhor das hipóteses, existe uma oportunidade certa de negócio ou, na pior, uma resposta positiva à ameaça da concorrência às receitas provenientes dos dados móveis. O fornecimento do serviço Wi-Fi vai consolidar os grandes players que participarem nesta “batalha”, e muitas das start-ups que entrem nesta luta, ou vencem no mercado, ou então são adquiridas por operadores já estabelecidos. O Wi-Fi fornecerá uma pequena fracção de uma já estabelecida receita operacional dos operadores, sendo pouco provável que todo o mercado Wi-Fi venha a representar mais de 3% do total do mercado de dados móveis, não sendo certamente um DSL ou o 3G, no que diz respeito ao seu potencial de rentabilidade.

Ao contrário do que se chegou a indicar - que o Wi-Fi poderia acabar como os infra-vermelhos, sem grande impacto - esta nova tecnologia mostra ter um maior potencial para vingar no mercado, na medida em que graças à sua ligação IP, não varia muito dos standards que os utilizadores estão habituados. Por outro lado, foi visto ainda que apenas algumas instituições poderão possibilitar a utilização do Wi-Fi, uma vez que os hotspots são finitos.

Conclui-se que o Wi-Fi apresenta benefícios significativos, pelo que os operadores não podem ignorar esta questão. O Wi-Fi pode ser visto como um complemento a outras ofertas de dados móveis, consoante as ocasiões e expectativas, para utilizações que variem de acordo com o serviço. O serviço Wi-Fi apresenta ainda a vantagem de ser uma espécie de terreno de teste, com um número considerável de utilizadores dos Serviços Multimédia (MMS), que contribuirá para o avanço das receitas do 3G/UMTS. A outra perspectiva interessante do Wi-Fi focada nesta abordagem é a perspectiva da voz sobre o Wi-Fi (VoIP), a qual pode ser adicionada ao serviço standard da tecnologia em causa. Aplicações específicas, combinando voz e troca de dados, trarão melhorias na produtividade, permitindo que um utilizador fale e envie um ficheiro ao mesmo tempo, pela mesma via wireless.

O Wi-Fi apresenta dois modelos de negócio possíveis: construir hotspots e permitir outros fornecedores operar um determinado serviço através deles e, mais comum, é uma aproximação de retalho, na qual um operador constrói a infra-estrutura do Wi-Fi e é também o fornecedor de serviços. Este modelo faz sentido imediato, quando o operador já detém a marca, contacto directo com os clientes, sistema de anunciantes e sistemas de apoio ao cliente.

A questão da segurança do Wi-Fi também foi um aspecto focado. A grande maioria dos utilizadores de empresas de TI mantêm-se cépticos, quanto à tecnologia sem fios, preocupados com as implicações de segurança dos utilizadores registados nas redes das empresas via hotspots do Wi-Fi. Iniciativas de segurança avançam rapidamente, como a última especificação de segurança, o Acesso ao Wi-Fi Protegido (Wi-Fi Protected Access - WPA). O WPA é a terceira especificação relacionada com esta tecnologia a receber a certificação da Aliança Wi-Fi, entidade destinada a alargar o alcance do Wi-Fi e expandir o número de redes onde as pessoas possam ter acesso.