06/04/2001 - Retalhistas europeus não estão preparados para o Euro

Está em: Imprensa

Estudo realizado pela Cap Gemini Ernst & Young e pela Associação para a União Monetária Europeia revela dificuldade do sector na mudança para o euro a 1 de Janeiro de 2002.

Existe ainda uma grande confusão entre os retalhistas europeus sobre os requisitos de transição para a União Monetária Europeia (UME), e muitos correm mesmo o risco de não conseguir cumprir a data limite de 1 de Janeiro de 2002 para a mudança da moeda, segundo revela um novo estudo realizado pela Cap Gemini Ernst & Young e a Associação para a União Monetária Europeia (AMUE).

Um alarmante baixo número - 18,8% - de retalhistas declararam que os seus trabalhos de preparação para o euro estavam concluídos. Embora a maioria dos grandes retalhistas tenha já iniciado um projecto de mudança total, existe um forte indicador de que o tempo que resta - menos de 12 meses - não será suficiente. Este estudo e a anterior experiência da Cap Gemini Ernst & Young revelam que indústrias como o retalho necessitariam de um período mínimo de 12 meses para a mudança integral, enquanto 70% dos retalhistas inquiridos estimam que tal projecto levaria menos do que esse tempo a realizar. Cerca de um terço dos inquiridos encontra-se ainda na primeira fase dos seus projectos de mudança, enquanto pouco mais de 15% ainda não iniciaram quaisquer mudanças nas TI (tecnologias de informação), a título de preparação para o euro.

De acordo com o estudo efectuado, os baixos níveis de preparação podem estar ligados a falta de informação ou de conhecimento sobre as regras de transição para a UME. Na realidade, um quarto das empresas em toda a Europa pensa que pode manter contas internas e livros contabilísticos nas moedas actualmente em vigor, após 1 de Janeiro de 2002, enquanto em alguns países foi comunicada a aplicação de coimas às empresas cujas contas internas e registos contabilísticos para efeitos de tributação não se encontrassem em euros em 2002.

Um pouco mais que dois terços dos retalhistas que operam com cartões de crédito indicaram que tencionam continuar a aceitar esta forma de pagamento na actual moeda nacional após 1 de Janeiro de 2002. Isto demonstra claramente que estes inquiridos parecem desconhecer que a moeda nacional, na forma escritural, deixará de existir como moeda legal, após 31 de Dezembro de 2001. Quando se trata de moedas e de notas, uma percentagem muito baixa - 8% - dos retalhistas dizem estar preparados para a sua introdução. Cerca de um terço dos retalhistas ainda não tomou medidas quanto a esta matéria.

O estudo salientou igualmente o facto das organizações frequentemente perderem a oportunidade da ligação das mudanças organizacionais necessárias para a preparação para a UME e o desenvolvimento da sua estratégia de e-business; apenas 16% das organizações ligaram estas duas iniciativas.

“O nosso estudo revela dois tipos de preocupações,” afirmou Gerlof Osinga, Retail Manager, Cap Gemini Ernst & Young. “Em primeiro lugar as organizações parecem negligenciar o impacto no negócio e a complexidade da sua mudança para o euro. Pensamos que terão de se apressar se querem estar preparadas em 31 de Dezembro de 2001 e explorar as novas oportunidades. Em segundo lugar, as poucas empresas reconheceram que os programas de transformação para o euro e de e-business terão impacto nas mesmas áreas, podendo mesmo ignorar os benefícios que resultariam da ligação destes projectos de grande escala, que exigem ambos uma grande avaliação dos processos existentes”.

“Com o euro e a Internet a conhecerem crescente aceitação, está a começar uma nova era de verdadeiro marketplace on line da União Europeia, e as organizações terão de fazer parte dele para sobreviverem. Conjuntamente com operações de tesouraria mais eficazes, a transformação de um negócio para o euro agora pode trazer reais benefícios para qualquer organização de vanguarda,” afirmou Bernard Schellenberger dos euroTRANSFORMATION Services da Cap Gemini Ernst & Young.

Uma vez que o retalho é uma das principais indústrias para a introdução do euro, estas precisam de se preparar atempadamente de forma a satisfazerem as necessidades dos seus clientes ou serão altamente prejudicadas. É vital envolver toda a cadeia de aprovisionamento e o staff no projecto de mudança, de forma a gerar um efeito de bola de neve dentro e fora da empresa.

Nota para os editores

  • A amostra total abrangeu 1.000 organizações na zona do euro: Áustria; Bélgica; Finlândia; França; Alemanha; Grécia; Irlanda; Itália; Luxemburgo; Holanda; Portugal; e Espanha, cobrindo 133 organizações nos mesmos países.
  • Destas organizações, 15% tinham 200 a 499 empregados; 30% tinham 500 a 999; e 55% empregavam mais de 1000 trabalhadores.
  • A amostra global cobriu organizações de oito outras indústrias além do retalho: Administração e Governo; Banca; Seguros; Produção; Imprensa/Comunicação; Telecomunicações; Transportes; e Empresas de Utilidade Pública.
  • O estudo foi conduzido pelo especialista em pesquisas Infraforces em Setembro e Outubro de 2000

Sobre a AMUE
A Associação para a União Monetária Europeia (AMUE) foi fundada em 1987 por industriais europeus que acordaram sobre os benefícios da estabilidade monetária e de uma Moeda Única para o sucesso do mercado único. As empresas e bancos, membros da AMUE, empregam cerca de 8.000.000 pessoas. A AMUE é uma associação privada sem fins lucrativos com sede em Paris e activa em todos os países da União Europeia. Para mais informações consulte www.amue.org.

Sobre a Infraforces
A Infraforces é uma empresa de pesquisa de mercado que fornece especialistas para a execução e coordenação de uma vasta gama de pesquisas de business-to-business na Europa. Desde 1985, o seu objectivo tem sido auxiliar as empresas na compreensão e antecipação das tendências de mercado e das expectativas. Para mais informações consulte www.infraforces.com.