24/11/2000 - Empresas Europeias confusas com a introdução do Euro

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Novo estudo realizado pela Cap Gemini Ernst & Young, juntamente com a Association for the Monetary Union of Europe, alerta para o risco de as empresas não conseguirem cumprir a data prevista para a introdução do euro. Só 9 por cento das empresas portuguesas já usa o euro como moeda base.
 

De acordo com um estudo realizado pela Cap Gemini Ernst & Young e a Association for the Monetary Union of Europe (AMUE), as empresas na Europa continuam a não entender os requisitos necessários para a transição para a UEM (União Económica e Monetária). O estudo permite salientar que subsiste o risco de as empresas não conseguirem cumprir a data prevista - 1 de Janeiro de 2002 - para a mudança da unidade monetária.

O estudo tem como objectivo medir o nível de preparação das grandes organizações na Zona Euro. Durante o período Setembro-Outubro de 2000, especialistas em investigação da Infraforces realizaram entrevistas aprofundadas a 1.000 organizações, de 9 sectores de actividade, que revelaram níveis preocupantes de baixa preparação para o euro.

A 13 meses da implementação da moeda comum, o estudo revela que dos 23 por cento que concluíram os projectos relacionados com o euro, um terço afirmou que precisaram de mais de 12 meses para realizar esta tarefa. De acordo com a análise da Cap Gemini Ernst & Young, indústrias como as seguradoras e o sector público necessitarão de, pelo menos, 12 a 18 meses para procederem a esta mudança, podendo a banca necessitar, ainda, de mais tempo. Um quinto dos inquiridos está ainda nas primeiras fases do processo de mudança, e, o que é preocupante, 10 por cento de todos os negócios não iniciaram quaisquer mudanças de preparação para o euro nas TI.

O estudo revela que os baixos níveis de preparação podem estar relacionados com falta de informação ou conhecimento sobre as regras da transição para a UEM. De facto, um quarto das empresas europeias pensa que pode manter contas internas e registos contabilísticos nas unidades monetárias correntes após 1 de Janeiro de 2002, enquanto que alguns países anunciaram que serão aplicadas coimas às empresas que não mantiverem contas internas e registos para efeitos de tributação em euros, em 2002.

O estudo salientou igualmente que muitas oportunidades foram perdidas pelas empresas em conjugar as mudanças organizacionais: preparação para a UEM e desenvolvimento da sua estratégia de e-business. Apenas 16 por cento das organizações conjugaram as duas iniciativas.

“O nosso estudo mostra duas tendências preocupantes” afirmou Stan Cozon, Director dos euroTRANSFORMATION Services, Cap Gemini Ernst & Young. “Primeiro, as organizações parecem ignorar o impacto nos negócios e a complexidade da mudança para o euro. Pensamos que precisam de agir mais rapidamente se querem estar preparadas em 31 de Dezembro de 2001 para explorar as novas oportunidades. Segundo, poucas companhias reconheceram que a transformação para o euro e os programas de e-business terão impacto nas mesmas áreas e podem estar a negligenciar os benefícios que advirão da conjugação destes projectos de grande escala, uma vez que ambos exigem uma grande reavaliação dos processos existentes”.

O mesmo responsável acrescentou também que “com o euro e a internet a merecem crescente adesão, está a iniciar-se uma nova era em que existe um verdadeiro mercado da União Europeia online e em que as organizações terão que fazer parte dele para poderem sobreviver. Além da maior eficácia das operações de tesouraria, a adaptação das empresas para o euro desde já significará verdadeiros proveitos no futuro”.

O estudo revelou diferenças significativas, entre os países, no grau de preparação na Zona Euro. Na Áustria, 45 por cento das organizações inquiridas afirmaram que já usam o euro como moeda base, enquanto que apenas 9 por cento das organizações portuguesas afirmaram o mesmo.

Uma análise sectorial mostra que apenas 5 por cento do sector da Administração Pública está a usar o euro como moeda base, comparativamente com os 30 por cento dos sectores da banca e industrial. “Isto é surpreendente”, afirmou Stan Cozon, “uma vez que seria de esperar que os Governos liderassem o processo como exemplo. É particularmente alarmante porque o sector da Administração Pública possui tradicionalmente velhos e complexos sistemas de TI que demorarão significativamente mais tempo na mudança para o euro.”

Contudo, o estudo revela igualmente notícias positivas no que respeita aos negócios e ao euro. “As grandes empresas reconhecem que necessitam de apoiar os seus fornecedores e clientes e, vemo-las assumir responsabilidades em algumas áreas importantes. Vamos igualmente poder ver algumas empresas mais atrasadas a acelerar a execução dos seus planos enquanto grandes organizações finalizam a sua implementação no primeiro trimestre de 2001”, afirmou Bertrand de Maigret, secretário-geral da AMUE.

Em resultado do estudo, a Cap Gemini Ernst & Young e a AMUE dirigiram uma carta aos Ministros das Finanças e aos participantes na reunião ECOFIN que se irá realizar em Bruxelas em 27 de Novembro de 2000, em que identificaram aspectos chave e sugeriram iniciativas que podem ser implementadas para pôr fim à actual confusão.

“As mensagens resultantes desta investigação são claras” explicou Bertrand de Maigret. “As autoridades responsáveis pela mudança para o euro precisam de confirmar a agenda e eliminar a incerteza; pressionar para uma mudança antes da data limite; liderar pelo exemplo, acelerando o processo no sector da Administração Pública; usar as melhores práticas desenvolvidas em países como o Luxemburgo, Bélgica e Áustria por forma a auxiliar outros membros da zona euro; e estimular a utilização do euro entre fornecedores e clientes”.

“Gostaríamos de pedir às autoridades públicas que encorajassem a utilização imediata do euro o que irá despoletar uma adaptação pela comunidade empresarial e sector público no devido tempo. Políticas “de esperar para ver” e fatalismo podem originar mudanças de última hora no final de 2001, que serão caras, contraproducentes e potencialmente nocivas a nível político”, concluiu.

Nota aos editores

  • A amostra cobriu 1.000 organizações na Zona Euro: Alemanha; Áustria; Bélgica; Espanha; Finlândia; França; Grécia; Holanda; Irlanda; Itália; Luxemburgo; e Portugal.
  • Destas organizações, 15% tinham entre 200 e 499 empregados; 30% tinham 500-999 empregados ; e 55% empregavam mais de 1.000 trabalhadores.
  • As organizações pertencem a 9 sectores da indústria: Administração Pública; Banca; Seguradoras; Indústria; Comunicação/Media; Retalho; Telecomunicações; Transporte; e Serviços Públicos.

Acerca da AMUE
A Association for the Monetary Union of Europe (AMUE) foi fundada em 1987 por industriais europeus que concordaram sobre os objectivos da estabilidade monetária e uma moeda única para o sucesso do Mercado Único. Companhias e bancos, todos membros da AMUE, empregam cerca de 8 milhões de pessoas. A AMUE é uma associação privada, sem fins lucrativos localizada em Paris e activa em todos os países da União Europeia. Para mais informações consultar: www.amue.org

Sobre a Infraforces
A Infraforces é uma empresa de pesquisa de mercado que tem conduzido a execução e coordenação de variados e abrangentes estudos de business-to-business na Europa. Desde 1985, o seu objectivo tem sido auxiliar empresas na tomada de conhecimento e antecipação de tendências de mercado e de expectativas. Para mais informações consultar: www.infraforces.com.